Iii Olinda Stereo

Por Hugo Montarroyos em 23 de maio de 2005

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III OLINDA STEREO
data: 15/05/2005 (Domingo) – local: Ancoradouro
com Bonsucesso Samba Clube, Mundo Livre S/A e Eddie
Resenha por Hugo Montarroyos – Fotos por Guilherme Moura

Temporal no Ancoradouro abrevia show do Eddie
em 15/05/2005 por Hugo Montarroyos

Tinha tudo para ser uma noite de Domingo das mais agradáveis. Bonsucesso Samba Clube, Mundo Livre S/A e Eddie tocando no Ancoradouro para um bom público e vivendo bons momentos em suas carreiras. As três bandas estão trabalhando nos seus novos discos, sendo que o Eddie está às vésperas de embarcar numa turnê européia. Só que uma convidada das mais ingratas resolveu dar o ar da graça. Num momento “cordel do fogo encantado”, um temporal avassalador caiu sobre o local e acabou cortando em mais da metade o show do Eddie. Mas, pelo menos, antes já tinham se apresentado Bonsucesso Samba Clube e Mundo Livre S/A.

O Bonsucesso Samba Clube entrou em cena às 19:30 e mostrou que está com um pé fincado na África e outro no Caribe. Como sempre, os destaques acabaram sendo “Pensei se Hᔠe “O Samba Chegou”. O problema é que a banda perdeu o que havia de mais interessante nela; o dub. Conversando depois com o vocalista Rogerman, ele me disse que foi apenas uma questão de opção artística fazer um som mais de raiz, de investir mais no reggae, primando por uma sonoridade mais minimalista (confira entrevista em breve). Há quem goste. Particularmente, acho que sem o dub o som da banda ficou um tanto chato, indeciso e confuso. Não sabemos se eles tocam reggae, rumba ou música latina, o que acaba resultando em momentos de extremo tédio. Se você não gostar de reggae e não estiver com no mínimo cinco cervejas na cabeça, pode esquecer, o Bonsucesso não foi feito pra você. Mas há quem enxergue ali uma boa mistura de ritmos latinos e africanos. Eu, de minha parte, continuo cego…

Mundo Livre S/A

Logo depois foi a vez do Mundo Livre S/A fazer um baita show. Inspirada, a banda mandou uma versão de arrepiar de “Cidade Estuário”, que ficou ótima mesmo sem o naipe de metais que a caracteriza. A poesia sacana de “Melô das Musas” (uma ode ao sexo solitário) fez-se presente mais uma vez. A literalmente chapada “Pastilhas Coloridas” mostrou que o grupo tinha o público nas mãos. Tocaram a lindamente desafinada “Bolo de Ameixa”, e os sambas em formato punk “Free World” e “Livre Iniciativa”. Eis um dos trunfos do Mundo Livre S/A: a criatividade. Zeroquatro (não é segredo para ninguém), está longe de ser um grande músico. Mas é um excelente letrista e um compositor de mão cheia. Sem contar que toca cavaquinho como quem distorce uma guitarra, e faz uma guitarra chorar como se fosse um cavaquinho. Depois do show, conversei com Zeroquatro sobre “Bêbado Groove”, novo disco do grupo, que está em fase de pré-produção. (A entrevista você confere em breve).

Eddie

“Futebol e Mulher” abriu a apresentação do Eddie. Detelhe: no meio da música, Trummer tirou o set list do bolso e o colou no chão. Atitude de quem já foi punk um dia. Emendaram com a paleolítica “Falta de Sol”. Mas o melhor momento viria com “Original Olinda Style”. O grande Erasto Vasconcelos é convocado para seu diálogo/cantado com o público. Erasto é de um carisma monstruoso. Sua dicção peculiar e sua presença de palco são fenômenos difíceis de explicar. O cara simplesmente rouba as atenções em todas as apresentações da banda.

O show ia correndo na maior tranqüilidade. de repente, um temporal desabou no Ancoradouro. Telhas voavam, pessoas corriam e chuveiros eram formados no palco, que ficou alagado. A banda, numa prova explícita de profissionalismo, ainda tentou continuar tocando. Tiraram os equipamentos eletrônicos do palco e esperaram para ver o que acontecia. Como a chuva era muito forte e a estrutura local nunca foi lá essas coisas, tiveram que dar o show como encerrado. Uma pena, pois tudo indicava que seria uma senhora apresentação. Tem nada não. A banda, que tá sentada na beira do rio esperando a sujeira passar, está também de malas prontas para a Europa. E isso temporal nenhum vai impedir. Como diria Erasto, o grupo está vivendo aquele momento sublime, onde canta de peito aberto: “Meu nome é fastio, não tô comendo nada”. Certo, seu Erasto.

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Links:
» Bonsucesso Samba Clube no RecifeRock
» Mundo Livre S/A no RecifeRock
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