RESENHA: Astronautas – O Amor Acabou!

Astronautas - O Amor Acabou! 
Astronautas plagia a si mesmo em novo trabalho

O Amor Acabou, terceiro disco dos Astronautas, tinha tudo para entrar para a história como um dos melhores álbuns de rock já lançados no Brasil. Só que ele carrega um defeito mortal: a banda resolveu plagiar a si mesma. Para quem acompanha a carreira deles, a impressão que fica é que André Frank pegou o que mais gostava em Electro-cidade e recauchutou tudo no novo trabalho. Esteticamente ficou ótimo, só que a sensação de falta de criatividade causa desconforto. Vejamos: o riff de O Conto é praticamente igual ao de Tecnologia. A levada também é a mesma. Computadores Idiotas cita Calma, também do disco anterior. Amores Eletrônicos é irmã-gêmea de Comunicação em Bossa Moderna. Os Astronautas abre com o riff de Monotonia. Do Útero até o Fim é uma espécide de continuação de Não Faço Nada. Assim como A Era Moderna parece ser o desdobramento de Fora de Controle. Não há nada de ilegal nessa prática, mas tanta citação ao álbum anterior cansa, denota esgotamento criativo. Aliás, tudo no disco foi tocado por André Frank, o que talvez explique a tática de preferir reconstruir o segundo álbum ao invés de fazer um novo. Agora, se você não conhece Electro-Cidade, prepara-se para ouvir um dos álbuns mais sofisticados – em termos de efeitos – e ganchudos – no que tange às guitarras – dos últimos anos.

Astronautas (foto de divulgação)

Posted sexta-feira, janeiro 12th, 2007 under Discos.

2 comments

  1. Jorge Terto says:

    Grande Hugo,
    Excelente crítica mas bastante polêmica! Sou suspeito em qualquer comentário sobre a banda Astronautas, pois era integrante da banda e sou sócio patrimonial fundador, rsrsrs.
    Bem, acho que o dos caras deram de encontro com uma coisa muito importante e rara hj na mídia. Falo da identidade. Seja de gosto do público, ou não. isse estilo próprio da banda, (de não querer “inventar” ou mudar demais, tomando exemplo do camaleão David Bowie), seja a intenção do novo CD e da banda. Pelo que conheço André, qualquer mudança é minuciosamente pensada. Imagine uma banda com a parafernalha de palco, figurino e etc, como Astronautas, mudar o som de uma forma grosseira de uma CD para o outro. Que confusão seria, hein?
    Com isso tente explicar os repetidos riffs citados pelo jornalista, filósofo e amigo.
    Não sei a posição de André em relação a tudo isto, mas minha opnião é esta. Prego batido e ponta virada…

    Abraço.

    Jorge Terto

    Abraço,

    Jorge Terto

  2. Bem, ousada e corajosa esta resenha. Tambem sou suspeito, mas acho um disco inteligente, e sim, bem como Terto falou, os detalhes estao nas minucias. E o soar parecido, ASTRONAUTAS sempre buscou uma identidade, e os timbres de guitarras, e riffs fazem parte disto. Soa ASTRONAUTAS, nos primeiros acordes vc reconhece a banda, isso eh algo dificil de construir.

    Abraco a todos.