Entrevista: Amps & Lina

Aproveitando o show de hoje da banda Amps & Lina, peguei emprestada uma entrevista feita com a banda pelo jornalista potiguar Hugo Morais do blog “Bem Vindo, Boa Viagem

Amps&Lina


Entrevista Amps&Lina

A banda Amps & Lina veio do Recife para a seletiva Radar Indie e conseguiu vaga pro MADA. No dia da seletiva, ou melhor, na noite, o equipamento de som do local não ajudou. O que levou pelo menos um dos jurados a votar na banda pela ousadia. Guitarras distorcidas, violino, programações eletrônicas e o velho trio guitarra, baixo e bateria. A escolha foi acertada. No MADA o show foi bem melhor, a qualidade do som idem. Lá no festival recebi o material da banda contendo a “capa” (acima) com CD de músicas, CD com porfólio, mais adesivo e cartão de visita. Impossível não se interessar em ouvir o material.

O som é uma mistura que deixa dúvidas quanto as influências. São camadas sonoras de violino, guitarras e programações sobrepostas com um vocal suave. Coisa que no show deve dar uma dor de cabeça boa.

A banda data de 1995 e começou com Luciana e Alcides. Hoje, depois de algumas formações, os integrantes são: Lorena Arouche (violino/guitarra/vocais), Alcides Vespasiano (guitarra), Henrique Vespasiano (baixo), Rogério Lins (synths/programações/guitarra) e Marcelo Fujiwara (bateria). Luciana saiu recentemente, após a Feira da Música em Fortaleza.

Para baixar o EP Curva e Linha:
http://www.mediafire.com/download.php?bzyzzdmy3hr

Escutando o disco, não percebo uma influência apenas no som de vocês. Deve ser uma junção de idéias e influências. Como ocorre isso?
O som da Amps & Lina é resultado das nossas diferenças musicais: formações, escolas, influências e formas de pensar música de cada integrante. Mas, mesmo dentro do nosso universo, ainda encontramos intercessões, sobretudo no rock alternativo independente. Podemos citar influências em comum de Beatles, Radiohead, Mutantes e Sonic Youth. A primeira audição, isso pode não ser transparente. Acontece que para nós pesa muito mais a forma como cada um cria e interage musicalmente com os demais do que a definição de um estilo a ser seguido por todos. Trabalhamos muitas vezes de forma experimental, agregando, somando. É assim que buscamos nossa unidade sonora.

Vi dois shows de vocês e escutando o disco vi que faltou muita coisa para chegar no som que ele traz. Como vocês driblam isso nas apresentações? Deve ser muito trabalhoso.
A gravação do EP foi um registro único do momento que a banda vivenciou em 2007 com uma formação diferente da atual. Após a entrada dos dois mais recentes integrantes, novos timbres, idéias, etc, foram experimentados e agregados a nossa sonoridade. Ainda podemos acrescentar que nossa música vive em constante transformação e evolução, pois está diretamente relacionada as nossas freqüências e variações emocionais.

Vocês ainda acreditam no disco físico? No cd? Qual a importância de ter um material como o que vocês distribuíram no MADA?
Embora a internet tenha facilitado o acesso e divulgação à música, algumas pessoas como nós (não muitas é verdade) ainda querem “possuir” um exemplar físico da obra de artistas que realmente gostam. O Cd físico ainda tem um papel indispensável para qualquer banda, hoje ele é o nosso cartão de visita no plano real, ao entregarmos a alguém ele sempre irá acompanhado de um aperto de mão, algo que internet não permite.

Quando vocês perceberam que ter esse material era necessário?
Foi uma necessidade natural que surgiu para podermos interagir melhor com toda a cadeia produtiva. É um meio estratégico de condensar informações e encurtar caminhos em meio a grande quantidade de material de artistas independentes.

Como se deu o contato com a Midsummer Madness para lançar o EP?
O EP foi lançado em setembro de 2007 de forma independente. Em outubro recebemos o convite pessoal de Rodrigo Lariú através do myspace para relançarmos virtualmente o mesmo pelo selo MMRECORDS.

Quais as impressões sobre a apresentação no MADA e os planos a seguir?
Participar da 10ª edição do MADA foi uma experiência emocionante e enriquecedora. Tivemos oportunidade de nos apresentar para um público maior em Natal, entrar em contato com grandes bandas de prestígio nacional e internacional, produtores e com a mídia especializada. Estamos atualmente em fase de processo criativo, testando novas composições em shows, participando de feiras musicais, em contato com outros festivais e na expectativa do lançamento do projeto TRIBUTO AO ALBUM BRANCO do produtor Marcelo Fróes.

Como vocês se encaixam na cena de Recife?
Nós fazemos parte de uma cena emergente e independente junto com uma nova geração de bandas pernambucanas que se articulam para promover shows e desenvolver projetos. Uma cena que já existia a margem do mangue, mas agora começa a se organizar. Recentemente, Amps & Lina se juntou com as bandas recifenses Nuda, Pé-Preto e A Comuna para formar o coletivo LUMO. Esse projeto, que envolve também alguns produtores, designers, jornalistas e pessoas do meio artístico, tem como objetivo o desenvolvimento da criação livre sem se pautar em modismos, valorizando o ser em vez do produto final. Estamos entusiasmados com as possibilidades, e esperamos que iniciativas cooperativas como essa fortaleçam a cena independente da cidade.

Esses coletivos, que estão se formando em vários locais, são a solução para a produção independente?
Não sabemos se será a solução, mas é quase que uma necessidade. Artistas independentes, sejam de bandas ou não, precisam estar cada vez mais a frente de suas carreiras, não só na criação, mas também na gestão. Isso, por si só, já está virando também uma arte. Vemos o coletivo como uma rede de cooperação mútua. Algo que uma vez fortalecido, dará infra-estrutura e apoio para tocar pra frente projetos que seriam mais difíceis, para cada banda individualmente.

Vocês disseram que a banda já teve outras formações, que as influências são várias e que o disco foi registro de uma época. Não se enquadrar num estilo prejudica a assimilação do público?
Talvez… Mas não nos achamos tão inclassificáveis assim!!! Rs… Acreditamos que a apreciação de qualquer forma artística pelo público deve ser livre (e não ficar restrita a uma ou outra determinada perspectiva). Da mesma forma que nós prezamos por não nos amarrar musicalmente. Realmente não sentimos a necessidade de enquadramentos estéticos (ao menos até agora! rss).

Pra terminar, quais as expectativas para o resto do ano?
Pretendíamos começar a gravar um novo EP ainda para este ano. Tivemos um redirecionamento nos rumos com a saída de Luciana (vocais) após a Feira da Música (CE) e estamos em processo de seleção de uma nova vocalista. Mesmo assim ainda estamos bem empolgados. Vamos manter nosso foco no processo de composição e apresentações.

Contatos:
MySpace – http://www.myspace.com/ampslina
Orkut – http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2851673
Midsummer Madness – http://mmrecords.com.br/200711/amps-lina

fonte:
http://bemvindoboaviagem.blogspot.com/2008/09/entrevista-amps.html

Posted segunda-feira, setembro 15th, 2008 under Notícias.

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