Cobertura: Palestras do Grito Rock (segundo dia)

Por Hugo Montarroyos em 28 de janeiro de 2009

Aconteceu ontem, no Auditório da Livraria Cultura, o segundo dia de debates do Festival Grito Rock, organizado pelo pessoal do Lumo Coletivo. Com presenças de Renato L, secretário de Cultura do Recife, Lula Côrtes, Diretor de Cultura de Jaboatão e Adriano Araújo, advogado especializado em direitos autorais, o evento teve como tema proposto “Novas Diretrizes para a gestão Pública da Cultura”. Algumas coisas me impressionaram bastante.

A primeira delas: lotou, o que é um ótimo sinal, pois todos os setores envolvidos na cadeia produtiva musical de Pernambuco (inclusive o público) mostraram que estão extremamente interessados em como a cultura vai ser administrada nos próximos quatro anos.

A segunda: impressionantemente alto o número de pessoas presentes envolvidas com a música erudita. Parece que há uma certa celeuma em torno da atual forma com que é administrada a Orquestra Sinfônica do Recife. Não tenho competência nem entendimento para entrar nos mérios da questão, mas, pelos depoimentos de ontem, ficou claro que existe um descontentamento pelo modo como a orquestra é regida (politicamente) nos últimos oito anos.

Renato L enfrentou um verdadeiro bombardeio de várias classes de setores musicais, cada uma com a faca mais afiada do que o outro nos dentes. O que me deixou um tanto surpreso foi saber que ele (aliás, a mesa toda) é favorável a decisão da Fundarpe de doar 200 mil reais para a Escola de Samba paulistana Mancha Verde, cujo enredo deste ano homenageia Pernambuco. E, indo mais além, defendeu os três milhões de reais que a prefeitura destinou à Mangueira no ano-passado. Sinal de que Renato L vestiu de fato o papel de secretário que lhe cabe. Ou seja, agora joga as regras do poder. Fica a torcida para que desempenhe um bom trabalho, pois sabemos que ele é inteligente, competente e tem tudo para desenvolver um bom trabalho.

Lula Côrtes foi a figura mais carismática da mesa. Falou das dificuldades que encontrou logo de cara em seu início de gestão em Jaboatão, e de como tentará usar a criatividade para sanar os problemas. Ele parece realmente disposto a mudar (ou pelo menos tentar) o atual quadro cultural do município, jogado às moscas, segundo ele.

Em sua fala, Márcia Souto ressaltou a falta de formação de gestores específicos para tratar de políticas públicas na cultura.

Roger de Renor, como sempre, levantou a questão da já folclórica Rádio Frei Caneca, que há 49 anos não sai do papel.

Alguns momentos foram tensos, e por várias vezes a platéia demonstrou uma ânsia de ver todos os problemas serem resolvidos em curto prazo. A maior parte das perguntas foram dirigidas a Renato L, que no final do debate estava visivelmente cansando com a enxurrada de questões a que foi submetido.

O debate foi extremamente valioso, e mostrou uma boa vontade explícita das três secretarias em dialogar com a sociedade civil e prestar contas de seus serviços. Mérito do pessoal do Lumo Coletivo, que idealizou e coordenou o evento.

Hoje é o último dia de palestras, que contará com as presenças de Cannibal, do jornalista Bruno Nogueira, de Roger de Renor e do músico Zeh da Rocha, que fará o show de encerramento da noite. O início é às 19h. Cheguem cedo para garantir lugar.

2 Comments

  1. Kleber Silva (Asteroide Music)
    Posted 28 de janeiro de 2009 at 16h54 | Permalink

    O evento teve qualidade, o debate foi produtivo. Espero que tenham outros e que isso seja o começo de uma nova era, a de troca de informações, entre produtores, músicos e gestores públicos.

    Parabéns ao pessoal do Grito Rock! Lumo Coletivo.

    E como foi frisado Recife, está precisando de centros de ensino ligados a cultura.

  2. João do Ibura
    Posted 30 de janeiro de 2009 at 10h40 | Permalink

    Renato L começou mal ao entrar em contradição com o que tinha dito antes de ser nomeado secretário, pois ele alegou anteriormente ser contrário ao dinheiro enviado à escola de samba mangueira, uma pena.
    Tudo bem que alguns podem achar importante a divulgação da cultura recifense, todavia, existem outras formas que rendem melhores frutos, como por exemplo, o que a propria gestão anterior fez, ao levar o carnaval multicultural à varias cidades do pais antes da falia de momo.
    Ademais, estamos em um momento de crise economica, onde a propria prefeitura ressaltou que ira economizar na decoração do carnaval e provavelmente o mesmo acontecerá na programação e, em contrapartida, vão financiar outra escola de samba, assim não dá!