Clipping: Motörhead demolidor

A última sexta-feira será marcada como o dia em que um surto de surdez atingiu cerca de 5 mil pessoas. Mas, para a maioria, os danos no tímpano servirão como souvenir de lembrança do show dos veteranos do Motörhead, fechando a primeira noite do Abril Pro Rock.

Motorhead no Abril Pro Rock 2009 (foto Beto Figueroa)

Motorhead no Abril Pro Rock 2009 (foto Beto Figueroa)

Motörhead surge demolidor com seu peso no volume total
Thiago Corrêa (Folha de Pernambuco)

A última sexta-feira será marcada como o dia em que um surto de surdez atingiu cerca de 5 mil pessoas. Mas, para a maioria, os danos no tímpano servirão como souvenir de lembrança do show dos veteranos do Motörhead, fechando a primeira noite do Abril Pro Rock. Embora a apresentação do trio inglês envolva toda a emoção do encontro do público pernambucano com uma lenda do rock após 34 anos de espera, o show de uma hora e 36 minutos deve entrar para a História como um dos mais barulhentos da cidade, atingindo nada menos que 130 decibéis.

Para se ter uma ideia do que isso significa, a tabela da Sociedade Brasileira de Otologia indica que a porrada sonora da banda inglesa equivale a um disparo de arma de fogo e perde apenas para as turbinas de avião a jato, que chegam a 140 decibéis. Em certos momentos, a lapada auditiva podia ser sentida no tato, fazendo a roupa do corpo sacolejar e a estrutura do Chevrolet Hall tremer. Agora o mais importante, ao término do show, além de zumbidos nos ouvidos, o Motörhead deixou a lição de que barulho só tem sentido quando se há talento e verdade no palco.

E isso eles tem de sobra. A começar pela postura hipnótica de Lemmy Kilmister, que mesmo estático no palco consegue prender a atenção do público em meio à concorrência dos solos de guitarra do carismático Phil Campbell e do trator Mikkey Dee na bateria, cujo malabarismo de baquetas e o solo devastador competem diretamente com o transe coletivo nas músicas “Ace of spades”, “Overkill” e “Whorehouse blues”, esta revelando uma versão mais light do Motörhead, com gaita e violões.

Com apenas os três no palco, o Motörhead serve de contraponto aos espalhafatos da apresentação do Iron Maiden, mês passado, mostrando que é possível envelhecer bem no rock’n’roll. Sem a pirotecnia de fogos e robôs, o trio inglês demonstrou que mais importante do que efeitos de espetáculo é a sinceridade no som.

FESTIVAL
A potência no som do Motörhead deve ter topado o máximo como uma forma de calar a boca dos que ficaram descrentes com a qualidade sonora dos primeiros shows. Seguindo uma pontualidade britânica, a 17ª edição do Abril Pro Rock começou com os pernambucanos da AMP.

Ainda que prejudicado pela falta de público, som desregulado, excesso de iluminação da platéia e a altura desconfortável do palco 2, os meninos passaram o recado de que o rock pesado não precisa ser feito com poucos acordes. O mesmo se pode falar da Black Drawing Chalks (GO), com um show conciso e rasgante que não apela para os espíritos do inferno.

A partir daí foi só barulheira. Ou deveria ser. Os cariocas do Matanza passaram por maus bocados com uma pane no som que permitiu alguns preciosos segundos de silêncio aos nossos ouvidos. Afinal a banda não passa de uma versão MTV do Devotos, com o vocalista Jimmy se arrastando pelo palco como o boneco Eddie no show do Iron Maiden. Depois veio a Decomposed God, seguindo o estilo Sepultura, com gritos guturais e rapidez na pancadaria dos instrumentos.

fonte: http://orelhando.wordpress.com/2009/04/18/apr-cobertura-1o-dia/

Posted sábado, abril 18th, 2009 under Clipping, Colunas, Destaques.

8 comments

  1. Matanza não passa de um versão do Devotos? Desculpe, o Show de Matanza foi podre, mas não tem nada haver com Devotos.

  2. Perfect Stranger says:

    “Espalhafatoso” cara, em que mundo tu vive? começasse a ouvir rock n’roll agora foi? se liga !!

  3. Matanza parece Devotos é o caralho! Matanza é mt foda! diria q é uma das poucas bandas originais q começaram d 2000 pra cá! country/hardcore empolgante com letras bem humoradas e um vocalista carismatico. o q + vc quer?!

  4. Matanza tem um som bonzinho, mas aquele vocalista burguês metido a bebarrão alternativo fode tudo. Devotos é muito mais som, muito mais atitude, é muito melhor!!!

    Só mais uma coisa que não posso deixar passar em branco: frequento o APR desde 2005 e tenho q adimir que o som do APR 2009 foi um dos piores que já ouvi, se não for o pior do festival. Péssimo som.

  5. Ronaldo Lins says:

    E comparar Decomposed com Sepultura é foda, apesar de ser metal, uma não tem nada a ver com a outra!

    Tem que escutar mais antes de fazer a matéria Thiago Corrêa.

  6. Isso que dá colocar um festival de rock (só a sexta né? pq o sábado é uma versão do coquetel) numa casa de show que tá acostumada a voz e violão… o som preparado para Calypso e aviões do forró pode não aguentar a pancadaria do APR…

  7. Filipe,

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Jimmy_London

    Jimmy nem beber bebe. ;)

    Devotos é da terra, dou valor, respeito e curto mas é como disse Heron: Matanza é o puro country, o puro hardcore é empolgante e tem letras bem humoradas e um vocalista carismatico.

    É musica pra bater a cabeça e cantar ao mesmo tempo e o tempo todo. É divertido, empolgante. Matanza é uma banda unica (com projeção) no cenário musical atual! Dê uma chance a eles, se não, dê um desconto. ;)

    Perfect Stranger,

    Espalhafatoso sim, mas desnecessario NUNCA! Altamente estigantes os efeitos!!!
    “o trio inglês demonstrou que mais importante do que efeitos de espetáculo é a sinceridade no som”. Melhor pro Iron que tem efeitos E um som sincero!!!

    bebeto_maya,

    Eu tô ligado que você pode até não curtir, mas pra quem curte e pro que é Matanza o show foi foda. Dá um desconto ;)

  8. Gosto muito do devotos, eles dentro do seu segmento segmento souberam incrementar elementos em sua sonoridade assim como o the clash e o bad brains de forma muito felizes, é uma ótima banda e o segundo disco pra mim é o melhor .Quanto a comparação com o matanza realmanente não foi feliz , o matanza é a banda mais interessante do rock´´n´´roll nacional eu compararia com o raimundos no iniçio , sendo que o matanza vem ficando melhor cada disco !quanto a situação ecõnomica do vocalista é irrelevante,arte em geral nos presenteou com gênios nascidos em berço explêndido e outros que no mangedouro,resumindo o que é bom é bom e fim de papo.