Cobertura: Angra e Sepultura no Clube Português

“Será que o Clube Português é suficiente para o Sepultura?”. A pergunta era feita por um amigo ao ver a enorme fila de fãs na entrada da Av. Agamenon Magalhães. Reflexo dos novos tempos, o local ficou bem distante de sua lotação, mas tampouco estava vazio. Algo em torno de mil ou 1500 pessoas, a maioria (mas não absoluta) fã do Angra. Se o preço dos ingressos podia ser considerado normal (R$ 30,00, R$ 40 00, R$ 60,00 – estudante, ingresso social e inteira, respectivamente), o mesmo não valia para as bebidas: obscenos R$ 3,50 eram cobrados por uma latinha de refrigerante (e nem Coca-Cola era) ou de cerveja. Pode parecer um detalhe, mas isso, no fim das contas, acaba afastando o público dos shows.

Na parte estrutural, tudo ok. Palco funcionando direitinho, som até que razoável (no Clube Português é preciso fazer milagre para o som ficar 100%) e iluminação perfeita. Os shows também foram tecnicamente perfeitos, com as duas bandas tocando o que de melhor fizeram na carreira. O problema é juntar os dois grupos no mesmo balaio, pois dá a nítida sensação de covardia.

Vamos lá: depois do show do Sepultura mal dava para lembrar que o Angra havia tocado antes. Tudo bem que as propostas são absolutamente distintas, mas o buraco é mais embaixo. Sobra ao Sepultura o que falta ao Angra: originalidade.

Cada país tem o Iron Maiden que merece. Se os quesitos artísticos a serem levados em conta fossem pose e xampu, o Angra seria a maior e melhor banda do planeta. Porque, tirando toda a afetação e clichês genialmente explorados pelo Massacration, o que sobra é uma diluição do Helloween, que, por sua vez, imita o Iron Maiden. Ou seja, a cópia da cópia da cópia. O público, por sua vez, adora. Aliás, de certa forma é um alento ver tanta gente da nova geração se interessando por metal, ainda que seja o do Angra. E tome farofa: a cena em que o vocalista rege o público, as introduções bregas de teclado que tentam remeter aos tempos medievais e essa baboseira toda. Daí ser fácil perceber por que não existe meio termo quando o assunto é metal melódico. O sujeito ou gosta ou detesta. Ou embarca na onda ou acha tudo aquilo ridículo. Infelizmente, faço parte do segundo time. Mas ontem ficou claro que eu era minoria. Para quem é fã da banda, nada a reclamar. Show de pouco mais de uma hora com tudo que a banda tem a oferecer, para o bem e para o mal, amém.

Já o Sepultura fez um show bem coeso e sintético. Tocaram 16 músicas, e não privilegiaram nenhuma fase específica de seus 25 anos de carreira. O toque inusitado veio de trecho de “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, tocada por Andréas Kisser e dedicada a José Sarney (cada país tem o presidente do senado que merece). Embora sempre tenha como sombra e referência as batidas de Igor Cavalera, Jean Dolabella (ex-Udora) é um excelente baterista e dá conta muito bem do recado. Até Paulo Jr evoluiu bastante de uns tempos pra cá. E Derrick Green é um vocalista monstruoso, com forte presença de palco e voz invejável. No público, abriu-se um clarão para um enorme roda-de-pogo, que resistiu por todo o show. E a banda fez um belo passeio por sua história. Do “Schizophernia”, tocaram uma música (“Escape to The Void”). Uma do “Beneath The Remains” (“Inner Self”). Duas do “Arise” (a faixa-título e “Dead Embryonic Cells”. Duas do “Chaos A.D.” (“Refuse/Resist” e “Territory”. Apenas uma do “Roots” (“Roots Bloody Roots) e uma do “Nation” (“Sepulnation”). O resto do repertório ficou dividido pelos trabalhos mais recentes da banda, os temáticos “Dante XXI” e “A-Lex”, que mostra um Sepultura mais soturno e sombrio, mergulhado no clima de “A Divina Comédia” e “Laranja Mecânica”, livros que inspiraram os dois últimos álbuns.

Pontos altos: “Territory”, cantada/berrada por todo o público, e “Roots Bloody Roots”, que não deixou ninguém parado.

No final, as duas bandas dividiram o palco para tocar dois covers: “Immigrant Song”, do Led Zeppelin, e “Paranoid”, do Black Sabbath. Mas aí já parecia fim de feira, e, embora o público pedisse insistentemente por “Maiden, Maiden”, ficou apenas na vontade. E saímos do Clube Português (eu, pelo menos) um pouco mais surdos e com a sensação de que uma avalanche chamada Sepultura havia passado sobre o Angra.

Posted domingo, agosto 9th, 2009 under Notícias.

24 comments

  1. Concordo com a opinião geral da resenha, de que o Sepultura foi avassalador no show e eclipsou o Angra, mas não dá pra entender o porquê da implicância com o Angra – ou melhor, dá: o repórter não gosta do Angra. Acho inclusive que o show do Angra foi um pouco mais fraco do que eu esperava, mas não dá pra negar que eles formam uma banda original (e isso acontece bastante na resenha).

    Amigo, você já ouviu algum disco do Angra PRESTANDO ATENÇÃO NA MÚSICA?! É uma das poucas bandas de metal melódico que incorpora musica brasileira ao seu som, e isso foi mostrado no show, mas, meu caro Hugo, você preferiu falar que é tudo uma baboseira e dizer que a banda é uma “cópia da cópia da cópia”. Pois é, eu soube que o Hermeto Pascoal participou do Holy Land, 2º disco do Angra (ele é medieval, né?); soube também que Never Understand tem bateria em ritmo de baião (será que o Iron Maiden ou o Helloween gravaram baião? Acho que não…).

    Não quero mudar o gosto de ninguém, mas acusar de ser cópia uma das bandas mais originais de um estilo que, reconheço, peca pela falta de originalidade é errado e não dá para engolir.

    PS: Pra não dizer que sou um “fã babaca de Angra” falando idiotice, devo esclarecer: sou muito mais fã do Sepultura do que do Angra (e põe muito mais nisso!).

  2. Sem essa de “Max é o cara”, mas só em Pernambuco sei de pelo menos uns 3 vocalistas melhores que derrick, já escutei CD, já vi mais de um show com ele, e não consigo entender onde encontram qualidade nos berros dele… fraquin , fraquin…

  3. Muito bacana foi presenciar o perfil do público: pais acompanhavam seus filhos todos devotos do Metal. Evidente que do “Sepultura do Brasil”, pelo tempo de estrada. Muito mais que o perfil do público, era bacana ver que as letras, aparentemente fáceis, do Angra eram cantadas pela quase totalidade dos presentes. Acho que metade não sabe o Hino da Bandeira, mas as melodias do Angra estava na ponta da lingua. Tornava-se bonito ver a devoção de um fã pelo seu ídolo. E tome gogó! A distância entre os públicos se fundia apenas em um detalhe. E tome preto. Preto na pulseira, na camisa, na bota. Mas as estampas eram do Kiss, do Ramones, do Chê. O negócio era que a malha tinha que ser preta. Em meus tempos de fã devoto, viagendo dias de ônibos para curtir um show, trajava a camisa de minha banda preferida. Mas hoje… Comportamento a parte. Gostei das duas bandas. Sepultura pela sua oiginalidade e pegada e Angra pela sua teatralidade e naa mais. Questionando o jornalista, quem deveria ter tocado juntamente com o Sepultura ou juntamente com o Angra já que são rios que não se misturam?

  4. Quase tudo o que eu ia comentar já foi dito pelo Cristiano. Acho que só faltou uma coisa: Helloween é cópia do Iron Maiden??? Que viagem louca você fez, cara.

    E nem sei se é pior ainda dizer que Angra é cópia do Helloween. Do Helloween no Angra só vejo os trejeitos do Edu Falaschi, que realmente são cópia do Andi Derris e praticamente mais nada.

    No mais, concordo que perto do show do Sepultura, o do Angra ficou no chinelo. E sim, sou um graaaande fã do Angra, mas nem por isso deixo de reconhecer o Sepultura como, de longe a melhor atração da noite

  5. Sou fã do SEPULTURA. Foi o melhor show da minha vida! Mas Hugo Montarroyos… jornalismo = imparcialidade…

  6. jornalismo imparcial? será que existe? =D
    Perdi o show.

  7. Para entender o significado da presença de Sepultura no Clube Português,
    basta lembrar que Chico Science cantou no mesmo palco em seu último show na
    cidade, em 1996, e incluiu trechos de duas músicas da banda no repertório
    (além disso, Max Cavalera, ex-membro do grupo, foi o primeiro vocalista a
    cantar com a Nação Zumbi após a morte do cantor em 1997). “Recife tem veia
    roqueira”, constatou o guitarrista Andreas Kisser, sábado, em uma
    apresentação especial em vários aspectos.

    A Sepultura encontra-se em plena turnê que comemora seus 25 anos de
    carreira. Isso praticamente os obriga a tocar seus maiores clássicos, como
    Refuse resist, Territory e Roots bloody roots, apesar de eles estarem
    divulgando o novo álbum, A-Lex. A banda tem uma relação mítica com
    Pernambuco por diversos motivos, entre eles um show que foi cancelado no
    início da década de 1990 e deixou os fãs ansiosos durante anos para vê-los
    no palco pela primeira vez (em 2005, houve outro cancelamento). Desde então,
    vieram ao estado quatro vezes, todas no Abril Pro Rock, com altos e baixos,
    mas sempre com a aura de melhor banda de rock pesado do Brasil.

    Além dos hinos históricos, o show terminou com versões de Led Zeppelin e
    Black Sabath, que Derrick Green cantou com uma voz mais suave e aguda, sem
    usar seu característico vocal gutural. Quando todos saíram do palco, a
    plateia queria mais homenagens e começou a gritar “Olê, olê, olê, olê…
    Maiden, Maiden”, mas não foi atendida. Os músicos da Angra, que abriram para
    o Sepultura, participaram desses covers junto com eles (ou seja, havia três
    guitarristas, dois baixistas, dois bateristas e dois vocalistas no palco ao
    mesmo tempo).

    Depois de perder metade dos integrantes originais, a Sepultura mudou de
    identidade artística, mas o nível não caiu, pois os substitutos estão à
    altura. Jean, o novo baterista, tem um estilo solto e gestual, marcado por
    pancadas fortes e elásticas, sem excesso de dureza. A presença de palco do
    norte-americano Derrick, que tocou tambor em uma das músicas, é também
    impactante. Além de cantar com força, ele dança, gesticula bastante,
    capricha nas expressões faciais e tem um porte físico assustador, com um
    visual monstruoso dos pés à cabeça. A banda está com mais suingue, mas sem
    perder o peso jamais.

    Urina – “Um fã do Sepultura jogou um saco de xixi na minha cara. Isso nunca
    tinha acontecido comigo”, reclamou Edu Falaschi, vocalista do Angra. Reunir
    as duas bandas na mesma noite é algo arriscado, pois o comportamento de suas
    plateias é totalmente diferente entre si e beira a rivalidade (as camisas
    pretas são o único ponto em comum).

    Enquanto os fãs de Sepultura querem pular, correr nas rodas de pogo, dançar
    e se debater, os do Angra preferem cantar em voz alta enquanto erguem as
    mãos para o alto com movimentos sincronizados (comportamento semelhante ao
    visto com Cordel do Fogo Encantado e Los Hermanos). Edu deixou o público
    recitar a letra de Rebirth inteira, por exemplo. O coro, na verdade, começou
    logo na primeira música, Carry on. De uma forma geral, o show deles está com
    mais ênfase na melodia do que no peso, com diversas referências ao universo
    da música clássica.

    Júlio Cavani
    DIARIO DE PERNAMBUCO

  8. brother o show tava muito bom mais faltou um pouco de magia no angra ao contrario do seplutura

  9. Alexandre Morais says:

    Parcialidade da porra

  10. Esse jornalista deveria ser mais profissional.. IMPARCIAL!

    se for para dar a sua opinião, pelo menos respeite a banda, velho!
    e se for pra criticar, dê argumentos verdadeiros!

    Dizer que o Angra é uma banda que falta originalidade é uma mentira.

  11. Leo Ferreira says:

    Acho que o pessoal aí emcima falou tudo sobre a questão de imparcialidade.

    É fato que o show do Sepultura foi melhor que o do Angra (olhe que eu não gosto de Sepultura e adoro Angra), principalmente pela produção de palco. Eu gostaria de saber o nome do iluminador do Sepultura e dar-lhe os parabéns porque foi uma das melhores iluminações que já vi na vida! Puta merda!

    Mas atacar o Angra desse jeito é falar, descaradamente, do que não sabe. Não vou precisar repetir o que os colegas disseram acima.

    É por resenhas como essa (de bandas que eu goste ou não) que eu acesso o RecifeRock cada vez menos. Infelizmente.

  12. galera, não se iludam! imparcialidade jornalística é lenda, igual a imparcialidade dos nossos juízes do STF.

  13. Conocordo!!!!! O Sepultura vai ser sempre orgulho nacional, mas, já o Angra??? Está precisando dar uma boa melhorada, pareci q só tem um albúm!!!! serio mesmo!!!! talvez se paracem de imitar bandas como: Helloween e Symphony X, ficariam mais “Origianiais”. Tem bastante orgulho de ver bandas nacionais (de boa qualidade) vindo pra Recife!!!!!

  14. victor melo says:

    ola, realment foi dito td, mas nem td eu concordo, o show de angra, na minha opniao, foi bem isso q foi sitado msm, a chapinha voando solta no cabelos loiros, mas me fez lembrar d um tempo q ouvia mais esse tipo de metal, sem falar q o som de angra tava bonzinho, com o microfone de Edu, falhando o tempo td com ele fazendo caras e bocas isso quando o som num tava abafado.
    depois disso, so esperei para o delirio, sepultura, arrazo, com corpos, mentes e ouvidos.
    e mostro a diferença de bandas como iron maiden, apesar do show de sepultura em comparaçao com Iron, ser uma mera apresentaçao, sem aquelas explosoes,fogos, e robos. coisas gigantescas, sepultura mostra uma coisa q iron, nem xego perto de mostrar, o
    peso e agrecifidade junto com o CARINHO pelo publico. A emoçao do contato diferente da emoçao do gigante.
    foram dois show’s esse fim de semana que lembraram a sensaçao do arrepio coisa q ja fazia algns meses q eu nao sentia com aquela intensidade, sem falar que ao msm tempo vinha a enorme vontade de me jogar na roda e me acabr de td que tinha direito, foi muito massa.

    se alguem puder me ajudar, to procurando fotos do show, se puder me indicar algum site agradeço.
    VLW galera

  15. “Um fã do Sepultura jogou um saco de xixi na minha cara. Isso nunca
    tinha acontecido comigo”, reclamou Edu Falaschi, vocalista do Angra.

    Fui a única pessoa que riu com isso? gEIUASGEy

  16. Eu concordo plenamente com Hugo e com alguns comentários ,para mim os shows foram muito bons,só o preço do refrigerante e da cerveja tava quase o preço das boates,mais só o Sepultura já valeu meus 30 reais,o Angra veio de Brinde

  17. sepultura rules!

  18. Imparcialidade não existe em jornalismo, né? Mas respeito é bom, e o Angra gosta!

  19. Sepultura devia mudar o nome. Falando em mudar o nome, quando é que Cavalera Conspirancy vem tocar aqui em, polo menos vou ouvir Arise com ” o Cara” no vocal.

  20. Hugo estou contigo e não abro… angra sux, SEPULTURA DO BRASIL rules!

    []’s

  21. hugo vc e um viado vai falar mal da casa da sua mae viado angra e foda sim porrrrarararrar!!!!!!!!!!!!!!!

  22. Dizer que o Angra não possui originalidade demonstra que o jornalista provavelmente conhece muito pouco da banda e de suas músicas. Angra é uma das bandas mais originais e com mais riqueza em suas músicas que existe no cenário “metálico” mundial.

  23. Que comentarista pau no cu..Angra sem originalidade ? Palhaçada…