Cobertura: Feira Música Brasil – Segundo dia

O Marco Zero viveu ontem uma noite estranhamente histórica. Estranha porque foi tudo tão inusitado que fica até difícil explicar. Vamos tentar: todos os shows funcionaram. Uns mais, outros menos. Lógico. Mas nenhum chegou a comprometer. Deu bem menos público que no dia da Nação, mas foi bonito ver tanta gente prestigiar o Sepultura. E, melhor de tudo: não houve uma confusão sequer. Agora, para mim, o fato mais surpreendente foi constatar que André Abujamra teria feito o melhor show da noite se não tivese tocado no mesmo dia do Sepultura. Por essa pouca gente esperava.

Outro fato muito bacana: legal constatar como a galera que curte metal abriu a cabeça nos últimos anos. Teve fã do Sepultura sambando no show do Mundo Livre e interagindo na apresentação de Abujamra. Na minha época (sei que isso é coisa de velho) tais cenas eram impossíveis, e seria muito provável que Zeroquatro e André levassem uma chuva de latas e garrafas na cabeça.

Outra coisa que merece registro foi a sequência final de shows, com Júpiter Maçã, André Abujamra, Macaco Bong e Mundo Livre. Todos muito bons, e acompanhados de perto pela grande maioria do público.

Enfim, mesmo com um certo temor gerado pelo fato do Sepultura tocar no Marco Zero, o clima geral da noite foi bem família.

Noite que omeçou pontualmente às 19h com o show da Trombonada. Infelizmente, como era previsto, tocaram para um Marco Zero praticamente vazio. Mas não deram bola para isso e seguiram em frente tocando as músicas de “De Madrugada”, seu álbum de estreia. Ainda que seja uma banda que enfatize e priorize o uso de metais na formatação de música regional, a apresentação deles ganhou (e muito) quando adicionaram peso em seu som na participação especial de Silvério Pessoa, que cantou “Na Boleia da Toyata”. Bom show que renderia mais em horário menos ingrato.

Apesar da terrível credencial de ser uma das vocalistas da Orquestra Imperial (a banda mais chata do planeta de todos os tempos), a cantora Nina Becker fez um bom show. Ela é bem afetada e um tanto canastrona. Exagera nos gestuais e passa a impressão de forçar uma barra tremenda para ser aceita pelo público. A banda se divide nas laterias do palco, deixando a cantora em evidência o tempo todo. Mas ela é talentosa, canta muito bem e tem bom gosto (exceção feita à Orquestra Imperial) na escolha do repertório.

O sergipano Naurêa fez a apresentação mais bacana da primeira parte da noite. Apresentaram uma espécie de “sambaiãorock”, que por vezes ganha um peso fora do comum. Silvério Pessoa, mais uma vez, foi chamado ao palco para acompanhar a banda em “Sexta-Feira”. O grupo tocou com uma fúria de quem estava disposto a apagar a má impressão deixada no show anterior deles no Recife, durante o Porto Musical. E conseguiram. Belo show levado na raça, que também merecia melhor horário.

O Milocovic foi a nota dissonante da noite, pois era  única a fazer rock calcado na geração 00. O vocalista estava gripado e rouco, e pediu desculpa umas três vezes por isso. Detalhe: se não tivesse contado, ninguém teria percebido. Eles trafegam em um terreno pantanoso, pois é extremamente difícil moldar uma cara própria quando se tem como influências  Franz Ferdinand e Strokes somados a qualquer guitar band indie que você imaginar. Mas, apesar de não ter identidade, trata-se de uma banda talentosa, que certamente ainda vai crescer muito.

Aí aconteceu algo bem engraçado. O som do outro palco estourou de tão alto, e Júpiter Maçã começou a cantar mesmo sem ser apresentado. Depois, deu boa noite e, quando já ia tocar outra música, anunciou: “Ah, eu sou Júpiter Maçã”. E ele tocou para uma galera que foi ali só pra vê-lo, e para metaleiros que tentavam entender o que era aquilo. Infeliemente, ele não apresentou sua banda, formada, entre outros, por Thunderbird e Astronauta Pinguim. Show de Júpiter Maçã costuma ser bipolar: ou é muito bom ou terrivelmente chato. O de ontem foi sensacional. Ele estava ótimo no palco, e momentos como “As Portas e As Cucas”, “Síndrome do Pânico” e a genial “Um Lugar do Caralho” (cantada em uníssono) prenderam a atenção do público.

E quem roubou a noite foi o genial André Abujamra. Deitou e rolou. Fez o que bem quis com o público: o dividiu em dois lados, fez com que imitasse o som de animais, o transformou em bumbo. Um dos maiores letristas da música brasileira (e como é difícil encontrar bom letrista hoje), soube interagir como ninguém com a plateia, fazendo com que ela prestasse atenção em cada verso cantado por ele. E foi muito coerente: “Eu vim tocar no Rec-Beat em 2006 com o Karnak, e achei muito legal porque tinha gente com camisa do Nirvana curtindo maracatu rural”. Sabendo que é desconhecido do grande público, fez piada sobre si, e reivindicou a autoria de “Alma Não tem Cor” (que, de fato, é dele), imortalizada nos repertórios de Chico César e Zeca Baleiro. Dos melhores shows que vi no ano.

Com o Macaco Bong não tem muito erro. É só deixar eles tocarem em qulquer lugar que sua música se encarrega do resto. E ontem eles pegaram uma boa fatia do público do Sepultura. E se aproveitaram bem disso. Não é fácil prender a atenção alheia com música instrumental, mas eles conseguem. Como já são fregueses no Recife, seu show não apresentou grandes novidades, mas, certamente, serviu para recrutar um fã ou outro entre os metaleiros.

“Eu estou quase me cagando aqui de tanta emoção”. Era Zeroquatro, eufórico com a oportunidade de tocar para tanta gente, no início do show. Abriu o set com “Bolo de Ameixa”, seguida de “Free World”. Leo D, do Diversitrônica e convidado da banda no show de ontem, fazia o som das guitarras no teclado. Maestro Forró, da Bomba do Hemetério, foi convocado para tocar em “Meu Esquema”. Um dos grandes momentos da noite foi “Musa da Ilha Grande”. Aqui vale uma informação: pouca gente sabe, mas Malu Mader faz backing vocal na gravação desta música registrda em “Samba Esquema Noise”. Outro destaque do show foi a hedonista “Pastilhas Coloridas”, de frases como “os sonhos murcham feito maracujá velho” e do impagável refrão “e quando a erva faltava, qualquer droga era boa.” Muitas músicas ganharam, inteligentemente, um arranjo mais pesado para facilitar o diálogo com os fãs do Sepultura. O Mundo Livre tem mostrado que está no auge de sua forma. Bom saber disso.

E, enfim, veio o Sepultura. Grande candidato a show do ano. Foi só soar o primeiro acorde da noite para surgirem as rodas de pogo. E foi lindo vê-las. Embora se orgulhe do novo material, ainda é com os clássicos da Era Max que a banda mostra o que tem de melhor. “Inner Self” cantada por boa parte do público. Todo mundo berrando o refrão de “Territory”. As três rodas comendo no centro (e nos lados) em “Escape To The Void”. A introdução matadora de “Troops Of Doom”. Difícil escolher o momento mais emocionate da noite. Como de costume nos shows da banda, a iluminação foi impecável. “Dead Embryonics Cells” levou de volta a 1991 vários metaleiros das antigas que batiam cabeça e cantavam emocionados. “Atittude” também foi fantástica. E o final, com “Roots Bloody Roots” tocada após o já famoso “Sepultura, do Brasil”, de Derrick, foi o puro carnaval do metal, com todo mundo pulando.

Ninguém se machucou, não houve briga, nada de incidentes. O Brasil é um país curioso. Produz unanimidades como Tom Jobim e João Gilberto. Mas o maior vendedor brasileiro de discos no exterior na história é o Sepultura. Pelo show de ontem, dá para entender o motivo.

20 comments

  1. Foi LINDO! SEPULTURA melhor show do ano mesmo!

  2. “Teve fã do Sepultura sambando no show do Mundo Livre e interagindo na apresentação de Abujamra” Isso define bem como foi a noite, me arrepio toda, de boa recifense que sou! Tô já saindo do trabalho e indo lá agora, vê o que rola Hoje. parabéns pela matéria ficou ótima.

  3. Putz o show do sepultura foi perfeito! Até para muitos metaleiros que dizem q o sepultura acabou depois de Max, ficaram chapados com o som; q a galera ainda tem mesmo sem os cavaleiras!

  4. o sepultura deu uma caida sim com a saida de max, mas os caras tão se superando a cada dia!!! assim como o show no clube portugues, o sepultura ontem foi do caralho.. espero que muitos e muitos shows deles aconteçam aqui m recife

  5. se bem que não foi tao tranquilo assim por parte dos seguranças que abusaram da violencia e ainda descerarm a madeira nos meus amigos que não fizeram nada ¬¬’

  6. Sepultura foi dukaralho.com

  7. eu n esperava tando desse show do sepultura, PQP q show da PORRA!!!!!!
    e tocando os classicos, foi muito bom mesmo.

  8. este show do sepultura so nao foi o melhor do ano, pq veio este ano uma banda chamada Iron Maiden, e ai fica dificil de competir …., com toda aquela estrutura

  9. O que vi foi um público estúpido formado por ex-skatistas que (ainda) usam camisa do Nirvana ou Raul Seixas, garotas góticas-deslocadas com suas fantasias de “rainha das trevas”, metaleiros suburbanos levando bebida dentro de saco plástico e andando em bando fumando maconha, pseudos-hippies drogaditos usando chinela havaiana, mendigos, falta de segurança nas pontes, som extremamente alto e “estourando” e lembro bem quando Jupiter Maçã pediu pra a galera cantar com ele e como 70% nem sabia quem ele era simplesmente vaiou. Patético, vi o começo do show de Abujamrra e fui embora de vergonha do público. Essa foi verdadeiramente a noite.

  10. Sepultura! Sepultura!

  11. Melhor show do ANO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    voltei aos meus 15 anos entrei até na roda!!!
    FOI DUCA!!!!!

  12. segurei a instiga o show todo, mas Territory me fez voltar uns 10 anos no tempo e tive que partir para as rodas (só encontrei 2). duro foi constatar que, aos 27, já estou praticamente um tiozinho, de tão cansado que fiquei depois de dar medíocres 2 voltas completas. só tenho a meu favor o argumento de que naquela altura já estava bem queimado de birita. bebia bem menos a 10 anos atrás….
    foi um puta showzaço! intenso. intenso.
    vida longa ao velho Sepultura do Brasil.

  13. Realmente foi perfeito o show,o mais instigante q já fizeram no Recife,só faltou fotos deles nessa matéria..

  14. FOI MESMO UM SHOOW DUKARALHO UM DOS MELHORES QUE JÁ VI NA MINHA VIDA!

  15. Carla

    vai pra show, no Crassik Hall que e teu lugar,

  16. carla, mas uma coisa niguem e obrigado Jupiter maça ja que ele ainda nao fez nada de relevancia pra musica brasileira……..

  17. Amigos alguem estava no show do Sepultura com uma digital boa?
    Estou atraz de vidio delonge que mostre aquela bela RODA PUNK.
    Pois no youtube só tem vidio rabujo……

    obrigado….. quem postar.

    Eu estava de chapeu do Papai Noel na Roda….

  18. Achei o comentário da Carla muito infeliz, pois mostra um lado preconceituoso de pessoas acostumadas em assistir shows em boates ou casas do genero, pois qual o problema de em um evento democratico como a feira musica brasil estarem presentes “ex-skatistas que (ainda) usam camisa do Nirvana ou Raul Seixas, garotas góticas-deslocadas com suas fantasias de “rainha das trevas”, metaleiros suburbanos levando bebida dentro de saco plástico e andando em bando fumando maconha, pseudos-hippies drogaditos usando chinela havaiana, mendigos” vc pensa que esta aonde minha filha? no mundo tambem há espaço para todas as pessoas e “tribos” e essa é a oportunidade de todos estarem presentes no mesmo ambiente, sem nenhum conflito aparente
    Quanto aos shows gostei muito da trambonada, jupiter maçã, andre abunjara(qua achei melhor do que o trabalho do Karnac) e macaco bong(principalmente), alem do sepultura(é claro), foi a melhor noite da feira.

  19. cara fico mt felzi,em dizer SEPULTURA ORGULHO DO BRASIL , não esperava um som desse,cara foi tm fogo ver as rodas ,por fala uma unica roda parecia que o marco zero ia sumir.
    minha cidade e Phoda.

  20. carla, mas uma coisa niguem e obrigado Jupiter maça ja que ele ainda nao fez nada de relevancia pra musica brasileira……..[2]

    PAPAI NOEL kd os videos ???posta ai bixo so tem um video bom,tanta gente filmando um show para registra para sempre