Cobertura: RecBeat 2010 – Segundo dia

Poucas noites no Recife tiveram uma sequência tão boa de shows como a de ontem no RecBeat. As apresentações de A Banda de Joseph Tourton, Volver e Magic Slim foram irretocáveis. De um alto nível fantástico. A única bola fora da noite foi o argentino King Coya & La Yegros. Apesar de o nome indicar outra coisa, trata-se apenas de um DJ, e dos mais chatos que já pisou no Recife em todos os tempos. Já Gabi Amarante valeu pelo clima carnavalesco. Seu som paraense cai como uma luva no carnaval, além do fato da moça ter sido beneficiada por entrar no palco logo após King Coya & La Yegros. Depois dele, qualquer coisa que viesse em seguida seria melhor.

Outra coisa que colaborou foi o público, que, diferentemente da primeira noite, lotou o Paço Alfândega ontem. E, surpresa (será?), quem de fato teve a plateia nas mãos foi o Volver, em apresentação que marcou um rito de passagem para a banda: foi a comprovação de que são, agora, cachorros grandes. Aliás, Pernambuco foi muito bem representado na segunda noite do RecBeat. Os moleques do A Banda do Joseph Tourton fizeram um dos melhores shows de abertura da história do festival.

Aliás, chega a ser assustadora a equação da banda: um bando de menino fazendo um som “adulto”, climático e envolvente. Apesar de tocarem exclusivamente música instrumental, em momento algum resvala no tédio ou chatice. Ao contrário, tudo ali parece ser planejado para envolver, prender a atenção. Ao vivo, esticam absurdamente suas músicas, e até quem já conhece seu trabalho fica meio perdido na história. Não têm pudores ao usar e abusar de delays. De parar as músicas no meio, para depois dizer de forma implícita: “pera aí, ainda tem mais!”. Tão impressionante quanto a performance da banda é a reação do público. Todos ficam hipnotizados, esperando o que virá, e talvez sem acreditar que tudo aquilo que vem do palco seja criado e executado por gente tão nova. Some-se a isso tudo o “detalhe” de estarmos no carnaval, e parece ainda mais surpreendente o fato de A Banda de Joseph Tourton ter prendido a atenção do público com uma sonoridade tão pouco carnavalesca. Contribuiu também a qualidade técnica, pois o som estava perfeito. Se duvidar, foi o melhor da noite. Enfim, showzaço!

Era uma vez uma banda chamada Volver…É gratificante ter o “privilégio” de acompanhar a carreira de um artista em todas as suas etapas. Do momento que surge, com um ep com duas músicas, aos shows em que só vão os amigos, em lugares como Capibar e Teatro Maurício de Nassau, até o primeiro lugar na primeira edição do Microfonia. Este costuma ser o ponto final na trajetória de muita banda. Mas eles seguiram “quietos”, trabalhando, até o surpreendente (pelo menos para mim) show de lançamento de “Acima da Chuva”, no Teatro de Santa Isabel completamente lotado. Depois, show no Abril pro Rock com o público cantando em uníssono todas as músicas. Aí foi só juntar 2 + 2. O resultado não poderia ser outro: tocaram para um ReBeat abarrotado de gente, que novamente entoou vários refrões da banda. E olha que muita coisa “jogou contra”. Nas primeiras músicas, o som estava péssimo. Tudo estourado. Mal dava para distinguir os instrumentos. Mas os problemas foram sanados com o desenrolar do show. Quando tocaram “Você que Pediu”, a canção pareceu fazer parte de um passado muito, mas muito distante do grupo. Não à toa, são as músicas de “Acima da Chuva”, seu segundo disco, que são cantadas pela multidão. São os casos de “A Sorte” e “Tão Perto, Tão Certo”. Aliás, esta última teve parte da letra esquecida por Bruno Souto, num dos momentos mais empolgantes do show. O final veio com “Mister Bola de Cristal” No meio do show, comentaram comigo que a Volver “está com cara de banda grande”. E está mesmo.

Magic Slim esteve no Recife no final do ano passado. Se apresentou para alguns privilegiados (eu era um deles) no projeto “Oi! Blues Night”, na “Spirit”. Se é fantástico vê-lo tocar em ambiente intimista, em palco pequeno, é ainda melhor contemplá-lo em ação no Rec-Beat. Com 72 anos, Slim toca sentado durante todo o show. Mesmo assim, sua figura é imponente, e dá para perceber que ele está expondo sua alma ali. Sua versão de “Muntang Sally”, de Bonny Rice”, é incrível. Ainda mais impressionante é ouvir blues no carnaval e ver gente fantasiada dançando ao som dele. Tecnicamente, foi o melhor show da noite. Nem tinha muito como ser diferente.

Depois foi a vez de um forte candidato a pior show da história do RecBeat: King Coya & La Yegros. Dispersou (quer dizer, espantou mesmo) o público, “tocou” uma mistureba latina enfadonha, cansativa, chata e repetitiva. Tirando quem estava muito bêbado na frente do palco, o show dele foi recebido com extrema frieza pelo público. E dizem que o sujeito é o melhor da Argentina. Imagina o “segundo melhor”…

Gabi Amarantos é algo difícil de explicar. Talvez uma “versão paraense da Beyoncé”. Ou seja, para quem já acha ruim a original…Por outro lado, é tão surreal e espalhafatoso que acaba fazendo todo o sentido do mundo no carnaval. A primeira frase do show, saída da pick-up/teclado de sua minúscula banda (além do teclado, uma guitarra sem-vergonha a acompanha) foi “Deus, obrigada pelo meu sucesso”. Apesar de tudo parecer uma imensa palhaçada, são de um profissionalismo exemplar. A apresentação conta ainda com um casal de bailarinos. O som? Tecnobrega. Ou, se preferir, um teclado fuleiro e uma guitarra que raramente ultrapassa os dois acordes em cada música. E ainda tem o maiô da “diva”. O conjunto todo (maiô, “diva”, teclado, guitarra, “Deus, obrigada pelo meu sucesso”, “tô solteira) é tão extravagante que deixa qualquer um desnorteado. Resta embarcar na onda ou sair correndo. Muita gente fez uma das duas coisas. E eu as entendo perfeitamente.

Posted segunda-feira, fevereiro 15th, 2010 under Coberturas, Resenhas.

9 comments

  1. volver começou com um ótimo disco “musicas perdidas num canto qualquer” com mister bola de cristal….que é um rock massa…mas já nesse disco tinham músicas melo dramáticas a lá los hermanos. Então restava a dúvida no no ar em qual caminho eles iam percorrer ? um rock and roll quente, instigante e contestador. ou o drama de amores e cartas do passado. pois bem, eles foram por esse segundo , que para mim é um árduo, triste e lamentável caminho que uma banda pode percorrer. haja visto o resultado dos hermanos. acho louvável, adolescentes cantando juntos…mas daqui há alguns anos quando eles crescerem? vão continuar cantando? creio que não…e tem mais …estão se parecendo mesmo com los hermanos. … mas tem um detalhe: os hermanos já fizeram isso. e foram inovadores mesmo se perdendo no caminho como faz a volver.

    por fim…podem deletar meu comentário…que é realmente uma mera opinião. de quem curte o rock and roll na essencia. e gostaria de ver em recife bandas que realmente decolem no cenário nacional e até mesmo internacional. já gostei mais da volver. admiro o trabalho dos caras…e gostaria de realmente ve-los decolando. e lamento que isso não vá acontecer pelo rumo que tomaram… é isso. paz e mais rock and roll para volver no próximo disco. é o que eu espero.

    valeu!

  2. Pra mim a Magic Slim foi melhor que a Joseph Tourton, mas é ate sacanagem comparar os meninos com o negão…

    hehehehehehehehehhe

    O legal do recbeat é que o som ta bom em quase todos os momentos da noite e o publico é muito receptivo (menos com argentino :P).

    Ta sendo bem legal esse ano!

  3. Ae Enzo! Volver neles!

  4. ze

    Que comentário trash véio… Deixa os adolescentes cantando juntos! Que eu tomo a minha cerveja xingando todo mundo!

  5. Volver tá acumulando muitas milhas no trecho sao paulo-recife.

  6. Meu deus, que resenha ruim do caralho.

  7. Somente assisti o show de magic slim, pois cheguei de olinda pouco antes do inicio da apresentação e não tive interesse de ver as atrações posteriores, todavia, pelos comentários lamento ter perdido o show da Banda de Joseph Tourton, porem, o show do Blueseiro de Chigado foi a segunda melhor apresentação de assisti no carnaval(a primeira foi nação zumbi na Varzea), valendo destacar a excelente versão de Before You Accuse Me, de Robert Jonhson(eu acho).
    Como o show de magic slim foi “uma unanimidade”, a produção do rec beat poderia, nas proximas edições, trazer mais atrações desse genero, o que não é dificil, pois no mesmo periodo carnavalesco temos dois grandes festivais que trazem bons musicos, que ocorrem em garanhuns(PE) e guaramiranga(CE).
    Vale destacar que no intervalo entre os shows de Volver e magic slim estava tocando uma coisa horrivel(parecia tecnobrega) que poderia incomodar quem fosse para assistir essas apresentações, acho que seria mais coerente apresentar outro tipo de musica.

  8. mustang sally é de bonnIE rice, que apesar de ter nascido com esse nome, ficou mais conhecido como Sir Mack Rice. e o show do magic slim não foi só o melhor show tecnicamente da noite, foi um dos melhores shows do carnaval 2010, apesar de ter acabado muito cedo. espero sinceramente que o blues tenha mais espaço no carnaval do recife de agora em diante!