Tapa na Orelha – Uma tal Lulu Champagne

Sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010, Quintal do Lima, por volta da meia-noite. Havia saído despretensiosamente para ver a banda paranaense Nevilton e colocar a conversa em dia com os amigos. Para minha sorte, os shows estavam atrasados, e nenhuma banda tinha tocado ainda. Vou até perto do palco e vejo quatro gurias, todas aparentando menos de 20 anos, nos últimos ajustes para começarem a tocar. Não sabia o nome da banda, e a vocalista tratou logo de desfazer minha dúvida: “Somos a Lulu Champagne; ou Lulu Cachaça para os íntimos”.

A primeira coisa que passou pela minha cabeça foi que se tratava de mais uma banda boba metida a engraçadinha. Aí elas começaram a tocar. E uma das guitarristas começou a cantar. E, pouco a pouco, fui percebendo o talento que existe ali. Sobretudo da vocalista, Mayara Pêra. Ela tem uma boa voz, canta bem, possui forte presença de palco e, melhor de tudo, suas letras são ótimas. A Lulu Champagne só tem quatro meses de vida, e aquele foi o terceiro show de sua carreira. Obviamente, ainda são verdinhas, e dão umas escorregadas aqui e ali. Normal. Mas o que me chamou a atenção foram as letras.

Mesmo sendo estudante de jornalismo, Mayara não cai na tentação de querer mostrar erudição e forçar a barra em temas “existencialistas”. Ao contrário, elas são puramente despretensiosas, mas, ao mesmo tempo, espertas e bem sacadas. E conseguem prender a atenção de quem está vendo o show, fato bem raro em tempos atuais.

Alguns exemplos: “Sabe aquele dia que até o sertão inunda, você leva um pé na bunda, mas evita o chocolate?/ Sabe aquele dia que tá te faltando verba, a internet tá mais lerda/ Aquele dia que é uma merda….Hoje aconteceu de tudo/ confesso que eu nem liguei/ Botei meu celular no mudo e do planeta me mudei”. Essa é de “Aquele Dia”, rock básico, seco e bem tocado.

Outro bom achado é a brega “Colapso Nervoso”, talvez a letra mais bem trabalhada da banda, cujo refrão, exageradamente passional, diz: “Que Deus proteja sua vida e sua morte/ Que você tenha sorte de nunca me encontrar/ Que Deus ajude, que seu anjo da guarda seja à prova de balas quando eu for atirar”.

Mas o melhor fica com “A Filha Favorita”, cuja performance ao vivo é sensacional. “Eu me atraio por aquilo que não presta/ se eu não presto está escrito em minha testa/ a minha missa favorita é o Carnaval/ e eu nem me lembre mais em que mês é o Natal, porque eu sou a filha favorita do diabo/ e é por isso que eu nunca me acabo…”

Eis o myspace das meninas: http://www.myspace.com/luluchampagne

No final do show da Lulu Champagne, conversei com o igualmente talentoso Zeca Viana, que disse que produzirá o primeiro EP delas. Deve vir boa coisa desse time.

Ainda sobre o carnaval

Só soube dessa ontem, mas a história é tão boa que não posso deixar de contar aqui. Antes do show do NxZero em Casa Amarela, o prefeito João da Costa, com umas a mais na cabeça, foi até o palco, pegou o microfone e disse: “meus filhos pediram para trazer o NxZero e eu trouxe. Essa banda é boa mesmo?”. Para sorte dele, nenhuma câmera estava ligada no momento. Entra para os anais do folclore da história da música pernambucana.

Posted segunda-feira, março 1st, 2010 under Colunas, Tapa na Orelha.

54 comments

  1. Acho também que o ABRIL não rolaria pra esse ano…quem sabe 2011, ham?

  2. Essa LULU é Freud!!!

  3. nunca fui à um show, mas já ouvi falar muito. depois daqui estou ansioso para assistí-las

  4. elaépuroextase says:

    PUTS velho, escuto may cantar faz 6 anos ainda lembro qdo eu ficava viajando na voz dela, e nas musicas que ela tocava,..ela sempre cantou muito..claro que agora tá bem melhor e ainda tem o que melhorar..mas ela tem aquilo que chamamos de DOM, guria tu nasceu pra isso..fora as outras minas da banda que são cheias de estilo e também tocam muito velho,..xero pra vcs e boa sorte!!!! LULU no ABRIL \m/