Tapa na Orelha – No despertar das manhãs de Abril pro Rock

Assim como no RecBeat, demorei a me pronunciar sobre a programação deste ano do Abril pro Rock. Estava esperando a divulgação do APR Club para fazer o balanço geral. Comecemos pelas principais mudanças: sou do time que acha que o Chevrolet Hall não combina com o festival. Ele é asséptico demais para shows de rock. Sem contar que tudo lá dentro é inflacionado. Água, cerveja, refrigerante, e comida são mais caros ali do que em qualquer outro lugar. Em compensação, voltar para o Pavilhão do Centro de Convenções traz alguns problemas. O principal deles é o tamanho. Para um evento que, nos últimos anos trabalhou com uma expectativa de público entre 4 e 5 mil pessoas, corre-se o risco de passar a sensação de casa vazia. Se bem que isso já vinha acontecendo nas últimas edições, exceção feita ao Motörhead. Sendo assim, melhor que seja em um local que tenha a cara do festival e que os preços sejam mais razoáveis lá dentro.

Em relação ao APR Club, gosto da ideia, acho ousada, mas vejo um pequeno problema. Apesar de dez reais (meia-entrada) ser um preço bastante interessante para ver The Legendary Tigerman, Mundo Livre e Dead Fish, pouca gente terá grana suficiente para acompanhar as sete noites. Em compensação, a coisa foi dividida de tal forma que fica difícil alguém gostar simultaneamente de todos os dias. Mas, para mim, a grande sacada é fazer com que a cidade respire rock por quase um mês inteiro. Espero que funcione.

Em relação aos dois já tradicionais dias do Abril pro Rock, achei a programação bem equilibrada, mas senti falta de um nome maior nos dois dias. Não sei se o Pato Fu, sozinho, tem muita bala para levar um bom público. O mesmo vale para Blaze Bayley. Se bem que o dia do metal conta com o maior gol de placa desta edição: Varukers e Ratos de Porão na mesma noite. Só isso já vale o ingresso. Mas continuo martelando na mesma tecla: acho excessivo 14 bandas (caso do segundo dia) em uma só noite. É muita informação num só dia, e torna a coisa cansativa para o público. Fora isso, tudo parece no lugar certo.

O dia do metal está coeso, e tem para todos os gostos: thrash, metal melódico, punk e hardcore. Bom ficar de olho no Terra Prima, banda que já era muito boa no início da carreira e que está com um trabalho cada vez mais maduro. E acredito muito no The Mullet Monster Máfia, que deve fazer um belo show. Sem contar a já citada dobradinha Varukers-Ratos de Porão. Aliás, acho que as duas bandas têm mais importância do que Blaze, e mereciam fechar o dia. Mas há quem goste do ex-Iron Maiden

O segundo dia só peca pelo excesso de bandas e por não ter outro nome do mesmo porte do Pato Fu. No mais, tudo ótimo. Tem pelo menos seis ou sete shows que me interessam: Anjo Gabriel (vale a pena chegar cedo para conferir a psicodelia em seu estado mais bruto). Bugs, melhor banda de Natal, é outro show que promete. A baiana Vendo 147 possui uma performance devastadora, com dois excelentes bateristas tocando frente a frente. Zeca Viana, cara muito talentoso que ainda vai longe. River Raid, que acaba de lançar o ótimo “In a Forest” (resenha em breve aqui), e o gótico cearense Plastique Noir também é bem interessante. E, para quem curte, tem Afrika Bambaataa. E o 3naMassa, que não tenho a mais vaga ideia de como será o show.

É isso. Levem protetores de ouvido para o Varukers/Ratos de Porão. Nos encontramos lá!

Posted segunda-feira, abril 12th, 2010 under Colunas, Destaques, Tapa na Orelha.

10 comments

  1. O público se acostumou a criticar o Abril. São pessoas que nunca foram ao festival ou então foram uma vez na vida. Não sei se a marca “Abril pro Rock” está cansada, como dizem, mas esse ano não terão a desculpa do valor do ingresso. Pagar 20 ou 30 reais para assistir 14 ou 10 bandas!! No mínimo 3 bandas são de interesse comum por noite. Bem, quase 10 anos frequentando o festival nunca me arrependi, lembro ter visto shows memoráveis e grandes surpresas. Alguém previa shows como o do asia dub foudation, terrorgruppe, the queers…

  2. O show do 3namassa tem tudo pra ser um dos melhores. Junto com Vendo 147, Zeca Viana e The River Raid vão fazer um sábado interessante.
    Agora Hugo esqueceu de comentar o Agent Orange, banda que foi importante pro movimento punk/skate punk..

  3. Poies é vitor araujo(será o pianista), o que dizer de jonh spencer and blues splosian, pata de elefante(mais recente), deus, dentre outras, que proporcionaram bons shows.
    Todavia, o que nos temos é um grupo de pessoas que querem ver bandas “da MTV” e outros saudozistas que não querem conhecer o novo e terminam sendo criticos sistematicos.

  4. Não sou o Vitor Araújo! =p… Com certeza o Pata foi muito bom também. Pra relembrar: The Datsuns tocando pra meia dúzia de gente, Camille, etc etc… Aproveitando o o post do Ugo, também quero ver muito o show do Agent Orange e claro bater cabeça com o Ratos…Memorável o último show que vi em 2004…Enfim. Até sexta e sábado!

  5. meu primeiro APR foi em 99 eu acho..
    foi logo quando o Sepultura voltou as atividades com o Derek nos vocais e lembro como o pavilhão do centro de convençoes era pequeno p/ o publico..
    fui em outras muitas edições depois, axo que em 10 anos fui a umas 6 ou 7 e notavelmente o publico ia diminuindo a cada ano que se passava..
    hj penso que se os produtores não pensarem em algo novo ou valorizarem mais o festival, em alguns anos o APR vai p/ saco..
    nem sempre quantidade quer dizer qualidade, axo que talvez seria mais interessante diminuir a quantidade de atrações e pegar umas 2 atrações grandes, de peso mesmo p/ noite e mais umas 4 ou 5 intermediarias (com as possiveis “apostas” ja inclusas nesse pacote)

    confesso que o show que me interessa realmente nesse APR é o Claustrofobia, o “resto”, seria um “bonus”

  6. Não acho necessariamente que o público diminuiu por conta da falta das grandes atrações… O que mais me incomoda é ter festivais de axé, sertanejo ou coisas do tipo com 50 mil pessoas ao preço de 40, 50 reais… com bandas repetitivas etc etc … e num festival como o Abril não ter mais nem 5 mil por noite! Falta divulgação, falta circuito, falta as pessoas sairem de casa pra assistir as bandas locais…e não somente pras bandas covers, noites blacks etc. São Paulo, Belo Horizonte, Brasília tem uma noite descente com boas bandas autorais e aceitam muito bem as bandas de fora… Que saudade faz o Dokas…

  7. DURYEL, concordo com vc cara,falou tudo.

  8. O abril pro rock tem história na cidade como o único festival que traz bandas pros camisas pretas,o vem no abril pro rock ou vem no clube português quando a Blackout traz então pros metaleiros e pros punks só resta o abril para ver shows ou o armazém 14.Então o pessoal sempre critica,outros gostam da progamação,outros não.
    Como foi dito esse ano era para atuar nos gargalos da cidade e dar espaço a bandas menores,como disse Hugo é bom que nos finais de semana de abril a gente tenha shows de rock em Recife,pois 20 reais num ingresso é praticamente o mesmo preço que pagariamos para entrar num downtown para ver uma banda cover ou 30 para entrar no audrey

  9. tudo cocô.

  10. tá difícil!!! acho que a segunda noite do abril deve mesmo ter sido muito ruim, até hoje o reciferock não postou nada, não sei se é vergonha ou displicência.. em fim…..