Resenha: Coletânea – “Terra Batida”

Coletânea “Terra Batida” (2010/Independente)

Terra Batida talvez seja mais do que “apenas” uma coletânea de bandas de metal. Afinal, não é todo dia que o poder público investe em bandas pesadas. Ainda mais em Pernambuco, onde o modelo exótico-regional costuma ser contemplado com muito mais facilidade do que qualquer outro segmento. Ainda causa surpresa (e uma baita satisfação, no meu caso) que a Fundarpe tenha contemplado este projeto. Os metaleiros sempre reclamam de discriminação, que estão à margem de tudo: governo, mídia, público. E, em 99% das vezes, eles têm razão.

A coletânea reúne seis bandas, com duas faixas de cada uma. Algumas coisas impressionam: a regularidade é uma delas. Na maior parte do disco, o que se ouve é música pesada do mais alto nível. Mas uma banda em particular acaba roubando a cena. Trata-se do Project 666, que já deveria estar, há muito tempo, no primeiro escalão da cena metaleira nacional. Digo mais: é a que possui maiores chances de trilhar carreira no exterior.

Outro destaque é a experiente Rabujos, que abre a coletânea mostrando que também merece figurar entre os melhores do país. E o veterano Insurrection Down também faz bonito.
O álbum abre com duas faixas dos Rabujos. Em “Exílio”, a banda trata de colocar logo as cartas na mesa: rápida, direta, certeira, com vocal gritado e boa letra em português, que, coisa rara, dá para entender. Já “Hiena” inverte a ordem: traz um vocal mais sujo para uma pegada um pouco mais suave (só um pouco). Não foi à toa que o Rabujos foi escolhido para abrir a coletânea, pois é a banda mais experiente do disco.

Depois vem o Project 666, e é impressionante como tudo funciona perfeitamente no som deles. Guitarras cheias, vocal sujo, bateria incansável e, mais importante de tudo, versatilidade. É incrível a capacidade que a banda tem de trafegar por vários gêneros do metal em uma só música. É o caso de “Walking by The Trails of Satan”. “Buy Your Death” segue a mesma linha. Eles injetam originalidade em um estilo – thrash metal – em que as bandas costumam se parecer muito..

Já o Desalma aposta em um estilo mais cru, seco. E, assim como o Project 666, a banda possui uma indentidade muito bem definida. Talvez seja o grupo mais diferente da coletânea. A guitarra é esquizofrênica, a bateria está quase sempre na velocidade máxima, e muitas vezes o som deles incomoda, provoca no ouvinte uma sensação perturbadora. O que, em se tratando de metal, é um baita elogio. “Em Chamas” é a maior prova disso.

O Unscarred, por sua vez, tem uma sonoridade um pouco mais trabalhada e nítida, contrastando bastante com o Desalma, mas sem deixar a peteca cair, como mostra em “Following my Thoughts”. “False Religons” segue o mesmo caminho. E, aqui, acabamos constatando o óbvio. O grande destaque de “Terra Batida” são os bateristas.

Alkymenia é a mais virtuosa das bandas. A que mais se preocupa em desfilar riffões e solos de guitarra durante as músicas. Se,ao vivo, já mostraram que são competentes, como no show desta edição do “Abril pro Rock”, em estúdio a pegada é a mesma.

E o bom e velho Insurrection Down fecha o trabalho. E, assim como as demais bandas, consegue arrancar, aqui e ali, momentos em que se mostra abolutamente diferente de tudo o que veio antes. Anos de estrada ajudam a moldar uma personalidade.

O que mais impressiona em Terra Batida é juntar bandas tão iguais que soem tão diferentes. Não é pouca coisa.

Posted sexta-feira, julho 30th, 2010 under Destaques, Discos, Resenhas.

7 comments

  1. a coletânea é foda mesmo.!! todos de parabens.!

  2. Muito massa esse cd …. !! as bandas são fodas!! Parabéns!

  3. onde tem pra baixar ou comprar?

  4. Algumas das músicas gravadas
    para esta coletânea podem ser ouvidas em:

    http://www.myspace.com/cdterrabatida

    Stay Brutal…

  5. porra muito foda a disposição das bandas.
    que continuem sempre da mesma forma…
    pra se fuder galera.