No Ar Coquetel Molotov 2010

Vai parecer injusto, mas não é: depois do show do Dinosaur Jr no Coquetel Molotov, tudo que veio antes ficou menor. E olha que rolou muito show bacana antes, como as excelentes apresentações de Otto e A Banda do Joseph Tourton. Aliás, a apresentação do Dinosaur foi a única na minha vida em que, após a execução da primeira música, já poderia voltar para casa plenamente feliz e realizado. Mas teve mais. Ainda bem!
Como sou chato pacas, começo pelos pontos negativos. É impressionante a falta de educação do povo pernambucano (brasileiro?), que insiste em fumar cigarro e maconha dentro do teatro. Deixei de ver vários shows por causa disso. E, na boa, se nenhum dos shows me interessassem, não teria visto nada este ano por este “simples” motivo.

Outra coisa chata: o calor insuportável da Sala Cine PE. Aqui o caso foi justamente o contrário: queria ver TODOS os shows, mas não vi NENHUM. Enfim, coisas para serem corrigidas no próximos ano.
No mais, o No Ar Coquetel Molotov está merecidamente em seu auge. Aliás, com toda a sinceridade do mundo, poderia ter show apenas do Dinosaur Jr que o restante não faria a menor falta – exceção feita ao Emicida, Otto e A Banda do Joseph Tourton. No mais, um abraço!
A melhor recordação da fofinha Soko foi o sonoro arroto que ela deu durante o show. Inexplicavelmente, deixou de tocar seu único hit. E ficou a sensação de que não fez falta nenhuma.

Zé Cafofinho fez um show corretíssimo, se aproveitando muito bem da excelente extrutura de som oferecida durante a apresentação dele.
E Otto, quem diria, virou artista do primeiro time. Para quem o viu no Abril pro Rock de 1999, com mais dois carinhas fazendo versões horrosamente toscas de “Ciranda de Maluco” e “O Celular de Naná”, é impressionante o quanto esse sujeito cresceu como compositor. Ainda precisa disfarçar o seu complexo de inferioridade e parar com essa balela de discurso que prega que “o pau do pernambucano é o maior de todo o hemisfério sul”. Cara, você já está tocando em casa, não precisa desse tipo de coisa.

Se ficasse calado, seu show teria sido perfeito – a banda ajuda um bocado, que o digam Catatau, Toca Ogan e Pupilo. Outra coisa: por mais que queira ser negro, sua macumba para branco ver não cola. Otto é muito melhor quando investe na modernidade do que quando tenta ser o que não é. Fica forçado, falso e plastificado, por melhor que seja a sua banda. No mais, só elogios. Ele realmente acredita que é um símbolo sexual, e, mais impressioante ainda, a mulherada embarca na onda. Ponto para ele. Agora, o fato mais surpreendente da noite: o cara não desafinou. Tenho uma teoria sobre isso: acho que ele quis apagar a má impressão – merecida – de sua apresentação no VMB, uma semana antes. Ok, o cara acendeu um baseado no meio do palco, mas, se o público fazia o mesmo dentro do teatro, acho que ele é quem mais tinha direito a tal privilégio ali. Enfim, tremendo show, mesmo sabendo que boa parte dele – metade, no mínimo – seja graças aos seus músicos. Até Bactéria está tocando muito!

A Banda de Joseph Tourton se garantiu novamente, da mesma forma que havia feito no RecBeat deste ano. Apesar de muito novos, não se intimidam com o tamanho de qualquer palco. Apresentaram as músicas de seu excelente álbum de estreia, e contaram com as participações especiais do excelente Vitor Araújo no piano e André, do Estúdio Das Cavernas, na percurssão. Os melhores momentos são quando as guitarras pesadas falam mais alto, aliando volume e psicodelia em um pacote que trafega entre Pink Floyd, camadas de samba e de jazz e o que mais você imaginar. E pensar que os caras ainda estão na casa dos 21 anos..

O show de Emicida foi bacana por dois aspectos. O primeiro, por atingir um público que não é o foco principal do festival: o de periferia. Muita gente do movimento hip hop compareceu, e várias pessoas cantavam de cor as ótimas rimas do rapper paulista, maior promessa de renovação do gênero desde os Racionais Mc’s.

Mas o festival tinha um nome só: Dinosaur Jr. Mais de 30 anos de serviços prestados ao rock. Esqueça a geração de Seattle. Toda ela. Teenage Fanclub? Pixies? Hahaha. Sequer existiriam se não fossem esses sujeitos. Que, aliás, se detestam e estão nessa só pela grana – certo eles! Fico pensando: imagina então se esses caras se dessem bem. Sabe aquele show sem defeito? Em que tudo é relevante? Nada ali está fora do lugar, e  tudo é tocado com uma naturalidade e afetação zero de emocionar. Velhacos, como eu, voltaram a ser crianças. “Crianças”, como a maior parte do público presente, finalmente descobriram, in loco, que Eddie Vedder jamais inventou um novo estilo de cantar; ele apenas possui a voz certa. Teenage Fanclub, minha banda preferida de todos os tempos, jamais teria composto um acorde na vida se não fossem eles. Rock alternativo? Indie? Gosta de tudo isso? Pois é, a culpa é daquele trio. Uma música? Um momento? Não dá, velho. Fique com o todo. De vez em quando, a perfeição dá o ar de sua graça. Melhor ainda que seja em cima de camadas de guitarra distorcida

Posted segunda-feira, setembro 27th, 2010 under Notícias.

16 comments

  1. Conhece a banda Witch do J Mascis? Quem curte o velho Black Sabbath vai adorar! Muito foda!

    http://www.myspace.com/witchofficial

    Doom on!

  2. boa matéria. valeu hugo!! realmente fumar num teatro é o fim!!

  3. Proibir a fumaça é proibir 70% da galera :D

  4. Hugo, se não fosse a maconha e o cigarro não existiria Dinosaur Jr e mais 95% das boas coisas que existem em materia de música. O festival foi maravilhoso por trazer Otto e Dinosaur mas assistir a ambos dentro de um teatro sem poder beber, fumar é muito brochante

    Ademais Dinosaur Jr, Teenage Fanclub e Pixies nasceram todas na mesma época ou seja, não faria influência alguma o Dinosaur Jr existir ou não, este discurso pode funcionar pra Nirvana e etc mas não com Pixies e as outras coisas que citaste.

  5. “Outra coisa: por mais que queira ser negro, sua macumba para branco ver não cola”
    Bem, não vi o show, não posso falar que há exagero de sua parte (ou da dele). Mas uma coisa posso falar: cultura é socialmente construída, Hugo. Quem disse que branco não pode ser filho de terreiro e que todo negro tem que tocar tambor pra sempre? #ficadica =)

  6. Tá faltando trazer os caras do offspring para o Recife néh…

  7. Uma pena que o recife rock esta com dificuldades de cobrir eventos desse porte(pelo menos aparentemente), pois seria bom ter outras pessoas para cobrir, por exemplo, os shows da sala cine pe, pois acredito que esse foi verdadeiro motivo de não termos comentários sobre aquelas apresentações, até porque, uma pessoa(sem compromisso maior) assistir a todos os shows e depois trazer seus comentários ao site nem sempre é possivel.
    Quanto ao fumo(leal ou ilegal) no evento é fruto da falta de educação de grande parte da população brasileira, pois evento em teatro é imcompatível com o uso dessas drogas, sendo assim, talvez fosse melhor pensar em fazer o evento em outro lugar(preferencialmente “aberto”) com, por exemplo, a concha acustica da UFPE.
    No que diz respeito a Otto, concordo que ele preocupando-se em executar as musicas, sem fazer discursos, já fez shows excelentes, todavia, quando ele se “dana” a falar é horrivel. Quanto a essa questão de que ele força a barra na execução de musicas da cultura afro, eu discordo, pois é uma opção dele em valorizar os musicos da banda que tem essa formação e cabera, antes dessa critica, vc saber se essa tambem não faz parte da formação de otto, pois o simples fato de vc não gostar da execução dessas musicas especificas(como é meu caso) não deve ser interpretado como uma postura artificial do musico.

  8. SDN-T.I.S.M says:

    Que jornalista é esse?
    Cheio de preconceitos?!
    hahaha…
    então quer disser que se uma pessoa de cor branca
    quiser fazer parte de um terrero não pode?!
    kkkkk
    em pleno século XXI ainda existem pessoas com esses pensamentos!
    E O PIOR “JORNALISTA”

  9. Otto é um produto da MTV vendido como um sex simbol tiozão cabeça das cavernas para as meninas boboquinhas hormonais que passam tipo assim, o dia na internet. E com ele vai o inacreditável Cidadão Instigado que mistura Odair José, Marcelo Camelo e muita marra sem tocar absolutamente nada!

  10. Bom.. até concordo com a tua opinião sobre OTTO!!! sex simboltiozao.. é a melhor descrição que já ouvi pra ele…
    mas daí a dizer q Catatau é ruim… é forçar a amizade… já escutasse os dois cd’s solo dele?
    ouve antes de opinar.. o cara simplesmente é o rei dos timbres….!

    abraços..!

  11. ja ouvi os discos de catatau e sinceramente achei uma merda, presta atença que os dois estão sempre juntos nos festivais chapa branca, cada um com seu show e ou tocando na mesma banda, ou seja, são da mesma panelinha!

  12. esperar o que além disso de nosso querido nerd Hugo?

  13. SDN-T.I.S.M, não vejo problema algum em branco frequentar terreiro. O “problema” é que o terreiro de Otto é de shopping center, falso, falso

  14. calorzinho e incomodado com fumaça nêgo? bem se vê que entendes de terreiro.

  15. HUGO MONTARROYOS – então acho q vc deveria se expressar MELHOR!
    pois não foi isso q deu a entender!