Resenha – A Banda de Joseph Tourton

Poucas vezez vi uma banda nascer tão madura quanto A Banda do Joseph Tourton. Ainda mais nos dias de hoje, onde jovens de sua idade (a média do grupo é de 21 anos) normalmente levantam a bandeira emo e tentam perpetuar aquela musiquinha que nada mais é do que um simulacro de tudo o que veio depois de “Mulher de Fases”, a assinatura da decadência artística e criativa do Raimundos.

Pois é, esqueça termos como diluição, manufaturado, pasteurizado. Além de fazer um baita de um som adulto para moleques de sua idade, o Joseph Tourton foi além: criou uma identidade. E logo no disco de estreia. A impressão que dá ao ouvir o disco – e mesmo em seus shows -, é que eles partiram do Mombojó (o que é o tempo; os moleques de ainda ontem do Mombojó já servem como referência para uma nova geração) e trilharam, a partir daí, um caminho próprio, ousado, na fronteira-limite da pretensão. Não à toa, uma das faixas do álbum recebeu o provocativo título de “Lembra o quê?”. No final das coisas, lembra tanta coisa que acaba lembrando mesmo A Banda do Joseph Tourton.

Trata-se de quatro garotos que, tanto no palco quanto no álbum, parecem se multiplicar, tamanha a versatilidade de todos. Tem flautinha climática, guitarrinha surf/reggae, guitarras pesadas, progressivo, noise, jazz, samba, chorinho, o cacete a quatro. Tinha tudo para dar errado, para soar confuso, cansativo, esquizofrênico. Mas tudo parece absolutamente no lugar, natural. Essa é a palavra: naturalidade. Nada ali é forçado, desnecessário. Tem gente que faz do pouco muito, como o pessoal do punk e seus clássicos três acordes. Há quem faça do muito a coisa mais chata do mundo, como a turma do progressivo. E há quem acerte no alvo, como A Banda do Joseph Tourton.

Os melhores artistas costumam ser aqueles que confundem. Acontece que os caras não apenas confundem, mas também intrigam. A cada nota de escaleta, a cada teclado progressivo, a cada acelerada no ritmo, A Banda do Joseph Tourton parece nos provocar como se dissessem “vocês está prestes a concluir que somos isso, mas na verdade somos isso aqui”, e tudo, ritmo, melodia e harmonia mudam repentinamente.

Cada uma das dez faixas deste álbum são autoexplicativas, uma síntese de tudo que está por vir, uma espécie de “prepare-se para o inusitado”. Desconfio que este disco será o calo no sapato de críticos de todo o Brasil, pois não é tarefa fácil descrever o som que fazem, esmiuçar faixa a faixa cada uma das dez canções que compõem o álbum. Trata-se do bom e velho “só ouvindo, cara”.
A Banda do Joseph Tourton vai te confundir bastante. E isso, acredite, é muito bom.

Cotação – ótimo

Posted quinta-feira, outubro 7th, 2010 under Notícias.

15 comments

  1. Existem “N” motivos para a banda ser aplaudida de pé…Pernambucana, influenciada pelos meninos do Mombojó, ser uma banda instrumental contribuino para o cenário existente aqui no estado e o mais significativo dos motivos é não ter estilo e ter todos os estilos, é ser unico, inusitado diferente… Meus aplausos de pé para vocês garotos!

  2. é a banda patrocinanda pelo coquetel molotov

  3. Perfect Stranger says:

    Ah? o que? não entendi? sem comentários…

  4. Não somo patrocinados pelo coquetel. Trabalhamos juntos.
    Nosso disco foi patrocinado pela Petrobras.

  5. é estranho mesmo uma banda que não tem cd, público ou estrada ja ter participado de tantos festivais, o que leva a crer que é o coquetel molotov que empurra a banda para tais eventos(panelinha de produtores, um favorece os produtos do outro). Por talento é que não foi amigos não subestimem a inteligencia coletiva.
    E gostaríamos de saber pois, quem pagou a gravação do cd de voces e as passagens para a turne, podem responder?

  6. deixa eu esclarecer só uma coisa.. antes de gravarmos esse cd que voces podem ouvir, já tínhamos gravado ele uma vez, e dessa vez o dinheiro saiu do nosso bolso.
    quando aprovamos o projeto na petrobras, resolvemos gravar tudo de novo. com os mesmos instrumentos de segunda que usamos até hoje.

    outra coisa, procurem:
    críticas que ja foram feitas sobre nossos shows e sobre nossos discos;
    vejam o que está sendo dito no twitter;
    observem a movimentação do myspace;
    jornais, revistas;
    coletâneas;
    vídeos de shows no youtube;
    enfim.

    existem MUITAS evidências por aí de quão verdadeiro nosso trabalho é.

    quem não gosta, não gosta, chorou. mas vão encher o saco de quem NÃO TRABALHA, PORRA!

    agora nos dêem licença que vamos terminar nossa turnê que passará por mais 31 cidades.

  7. Se orgulhar de uma turnê extremamente longa é arrogância? Esperar reconhecimento pelo trabalho duro é falta de humildade? A galera não aceita o sucesso dos outros e vem procurar pelo em ovo. Tem até uma louca pedindo prestação de contas, como se a banda fosse um órgão público. É por isso que Recife não evolui, é um querendo pisar na cabeça do outro e ninguém sabendo reconhecer o sucesso merecido.

    Parabéns pelo disco e pela turnê, meus pirraia. E que venham muito mais notícias boas!

  8. sucesso? Porque então voces não fazem show em Recife que não seja em festival? aluga um espaço e enche de gente, é possível?
    e continuaram sem responder quem financiou a viagem, falou falou mas não respondeu e mais; será que aprovar projeto na Petrobrás precisa de esquema? sera que alguem nessas 256 cidades da turne vai no show de voces ou será como todas as bandas que vão tocar fora e só colocam foto no orkut fotos de paisagem, tipo “eu em miami, em paris na torre eifel, no corcovado e por ai vai” mas foto de show ninguem bota e quando bota ninguem ve a plateia porque não tem plateia.
    Boa viagem de turismo aos fodões da banda.

  9. o povinho de recife como gosta de inventar que ta fazendo sucesso e ainda tem gente que acredita, eitcha povinho cheio de conversa mole!

  10. Gabriel Joseph Tourton says:

    Cabeleira altíssima!!!!!

  11. coquetel molotov como festival de música e cultura é como misturar o the pub, shopping center, praia de toquinho, porto no feriadão, show da timbalada, orkut, facebook, restatr, luan santana, bar central, jornalismo na unicap, academia de fitness and pilates e toda a representação dos mais variados tipos da burguesia vigente. Tudo menos rockkkkkkkk

  12. Vocês são meio retardados… não sabem nada da história do rock, obviamente. Diz uma banda que fez sucesso e não tinha alguém importante por trás? Seja produtor, empresário, amigo, o que seja… Não entendo a reclamação sobre o CM se eles fazem a produção da banda. Ainda questionar toda a turnê é um tremendo insulto para os produtores e os coletivos do Fora do Eixo… e eu vi um dos shows de perto, foi muito legal. O que importa se a banda tem CD ou tem público? O fato é que estão formando o seu público e indo para lugares que provavelmente 90% das bandas recifenses nunca foi. Pelo que eu saiba, eles só fazem investir na carreira deles, ganham mal para tocar (o que é normal de toda banda nova e as vezes velha) e por isso todos trabalham por fora, além da banda. Parabéns por conseguirem fazer isso.

    É falta de assunto? Hahahaha. Retardados.

    Mas o Coquetel Molotov poderia ser mais rock mesmo. Trazer uma banda de hardcore… como o Dinosaur Jr. Ah, eles trouxeram este ano, né?

  13. Eh deprimente ver oq algumas pessoas escrevem aqui, parabens ao Joseph Tourton pela dedicacao e pelo trampo. Se mecheram, escreveram o projeto e aprovaram, ao contrario daqueles q nao fazem nada pq dizem q so aprova quem tem indicacao, comentario tipico de quem nao trabalha. A galera do Joseph ta numa correria do caralho ai fazendo uma puta turne, gracas as articulacoes deles, se eles sao parceiros do coquetel molotov eh pq se articularam pra isso, e pra quem nao se articula resta falar merda e achar q os outros sao privilegiados. Parem de falar merda, levantem do sofa e vao trampar porra!!

  14. Bandinha chapa branca tirando onda de batalhador com essa eu vou tomar meu diazepan e hibernar na esperança de acordar em um mundo melhor, arghhhhhh!

  15. Dose é o comentário do reverendo no seu blog. Deve ter sido comprado pelo Coquetel Molotov, né, povo do lixo?

    Banda de Joseph Tourton – “A Festa de Isaac”
    Para dar o clima na abertura da coletânea do camarada, uma das mais instigantes bandas da boa safra de pós/proto-rockers instrumentais brasileiros. Poderia ser qualquer uma do epônimo álbum de estreia do jovem e talentoso quarteto pernambucano – download gratuito no site da banda. Desfile estiloso de ótimas referências em execução caprichada e vibrante – das sinuosas trips jagajazzísticas aos mais delirantes santanismos de certo Cidadão Instigado.

    http://colunistas.yahoo.net/posts/5974.html