Cobertura: Los Hermanos no Recife

Los Hermanos: Camelo e Amarante

Se você é fã do Los Hermanos, três linhas bastam para resumir tudo: o Centro de Convenções ficou abarrotado de gente, teve histeria, gente chorando e banda emocionada no palco louvando o Recife. Ou seja, nada de novo no front. Aliás, poupe seu trabalho, fã, e não leia as linhas abaixo. Elas não foram escritas por um…fã.

Fiz um levantamento de todos os shows que vi da banda. Tive oportunidade de conhecer e conversar com os caras mais de uma vez, antes e depois do sucesso, e posso garantir que eles são, como diz Lulu Santos e uma amiga, “gente fina, elegante e sincera”. Este levantamento serve, entre outras coisas, para mostrar que sei do que estou falando. Shows que já vi do Los Hermanos:

1 – Palco 2 do Abril pro Rock – 1999. Nem “Ana Julia” e nem o primeiro disco existiam ainda. Pouca gente viu e entendeu o show. Preferi circular pelo mercado pop.

2 – Palco principal do Abril pro Rock – 2000. A banda, já com disco e hit estourados, toca para público tímido. Muitos casais na plateia. As mulheres se descabelavam. Os homens encaravam como obrigação. Eu achei engraçado, e só.

3 – Armazém 14 – 2002 – Início do processo de ruptura artística. Show para umas 500 pessoas, onde a banda tocou o “Bloco do Eu Sozinho” inteiro, e parecia desesperadamente arrependida de ter gravado o primeiro disco. Ótimo show.

4 – Palco principal do Abril pro Rock – 2003. Talvez o melhor show que tenha visto deles. Lotou, mas a histeria ainda não era a matéria dominante. Tocaram “O Vencedor” pela primeira vez. A única que não vi ninguém do público berrar a letra.

5 – Área externa do Centro de Convenções – Festival de Verão do Recife – 2004. Show comovente, banda tocando com o raiar do sol, bem bonito de ver.

6 – Acoradouro – Final da primeira edição do Microfonia – 2004. E o Los Hermanos vira seita. Mal dá para ouvir a banda tocando, de tanto que o público berra as letras. Um produtor daqui costuma chamar isso de “show karaokê”.

7 – Chácara do Jóquei – São Paulo – Abertura do show do Radiohead – 2009. Como era o nome menos esperado da noite e havia baixa expectativa em torno deles, a apresentação foi bacana, embora tremendamente mecânica. Lembrou, em certo sentido, shows recentes do Pixies, em que os caras nem se olham enquanto tocam.

Devo ter visto mais shows, mas esses são os que estão mais claros na memória.
O de ontem foi assustador pela multidão que arrastou. Acho que nunca vi tanta gente num show no Recife (tinha mais gente no Iron Maiden? Eu não fui). E, fato curioso, tinha uma galera muito nova, gente que nem tinha idade para frequentar show quando a banda encerrou as atividades.

Público: "CAMELOOO! ALMIRANTEEEEE!"

Bem, o problema de ontem não foi a histeria, o choro do público, a multidão, a desorganização para entrar e sair, a falta de uma reles lata de lixo para não jogar lata no chão (fica difícil exigir educação de alguém assim), o mais que salgado 100 reais do ingresso. A bronca foi uma só: o show foi chato, morno, cansativo, daqueles que faz você olhar pro relógio a cada cinco minutos e torcer para que acabe logo.

Sim, teve “O Vencedor”, “Cara Estranho”, “Todo Carnaval Tem Seu Fim”, “A Flor”...mas todas pareciam requentadas e sem sentido ali. Forçada de barra. Nada de novo. Do tipo “vamos oferecer o que todo mundo já conhece e pagar o aluguel atrasado”. Ainda anunciaram, durante a semana, que rolaria uma surpresa durante “Pierrot”. Pois é, a “grande” surpresa foi uma versão tosca de “Vassourinhas”. Como somos pernambucanos, o povo mais ufanista do País, achamos lindo.

Não consigo ver sentido nessa volta do Los Hermanos. Principalmente se a banda não tem nada de novo para mostrar. A única coisa positiva que vejo nisso tudo é o fim da enfadonha e insuportável carreira solo de Marcelo Camelo. O Little Joy até que acho bonitinho.

Pior que os fãs estão ficando cada vez mais parecidos, no comportamento, com os do Restart. Essa semana, um amigo meu que tem mais de 10 mil seguidores no twitter fez uma experiência testemunhada por mim e alguns amigos. Postou a seguinte mensagem, só para comprovar que receberia instantaneamente de volta várias respostas “inteligentes : “Los Hermanos é Restart com barba”. Dez pessoas responderam imediatamente. A resposta mais inteligente foi: “você é um cu”.

Nada contra ser fã de algo. Sou muito fã de muita coisa. Mas essa volta do Los Hermanos só engana quem é muito fã. A banda estava em cima daquele palco por todos os motivos do mundo, menos o principal: pela música. Pra cima de mim não, velhinhos. Sei que vocês são muito melhores do que isso. Pena que os seus fãs não saibam disso.

Posted sábado, outubro 16th, 2010 under Coberturas, Resenhas.

54 comments

  1. “Los Hermanos é Restart com barba”

    ASSINO EM BAIXO!!!

    Os fã’s tem que enganar a sí propio, pra compensar os 100 reais!

    Eu estava lá, levei minha irmãzinha de 13 anos ( hysterica ) e assino em baixo tudo o q o cara falow ai em cima. Detalhe que ganhei um convite ;) se não…

  2. restart com barba EURI

  3. eu gostei muito da intensa nostalgia que senti LH, valeu para relembrar os grandes sucessos inesqueciveis… algo falso pra mim foi a presença da pivetada de 14/14 anos em peso! mas com certeza para mim, que só fui pra 2 outros shows, foi incrivelmente bom. pude relembrar aquilo que sei que nao vou ter oportunidade nova de ver ao vivo. Como fã de LH acredito que quem foi, foi pra curtir a nostalgia dos sucessos antigos… Restart são uns caras que se finjem de retardados (só pode), e que revolucionam a vida de pré-adolescentes ensandecidos e sem critividade que imitam por os cabelinhos alá xitão e roupinha alá blitz. Só porque os fãs de LH baixaram a média de idade e talvez usem ”camisas xadrez” nao significa que sao comparáveis a restart, onde a melhor frase que o compositor escreve é : HOJE SEI SEI SEI. Melodias vazias e sem individualidade fazem o restart. Letras fracas e pouco construtivas… Nada contra a quem gosta. Agora junte frases eternas como: ”quem sabe o que é ter e perder alguém”, ou ”eu sei é um doce te amar, o amargo é querer-te pra mim”. vamos ser sinceros, há muito mais do que fama e fãs loucos em los hermanos. Melodias muito características, envolventes e únicas, mistas com letras misteriosas, engraçadas, e o melhor de tudo inusitadas, fazem uma das melhores bandas do cenário do rock brasileiro. Talvez ter se tornado clichê e comum tenha sido só uma consequencia da fama… mas isso acontece com todos… Tem algo mais clichê que Beatles? Quero ver alguém falar um ai deles…

  4. “Los Hermanos é Restart com barba”

    Burro foi ele de esperar uma resposta inteligente de quem usa twitter né…opa! ele usa, portanto também não deve ser muito inteligente.