Tapa na Orelha: Como a imprensa cobre os grandes shows / ou Desconfie de tudo que lerr

Por Hugo Montarroyos em 22 de janeiro de 2011

É bom esclarecer para o leitor comum, aquele que paga caro para os ingressos dos shows de seus artistas favoritos, os bastidores das coberturas de grandes festivais pop mundo afora, Recife incluso, claro. Funciona mais ou menos assim:

O repórter que vai cobrir o show é adulado e bajulado pela produção do evento. Às vezes ganha brindes, os famosos jabás: camisa, boné, chaveiro, caixa de chocolate (alô, Los Hermanos!), essas coisas. Nos shows, esses jornalistas são instalados nos melhores locais, com comida e bebida de graça. Muitos jornalistas bebem muito durante os shows e, com essa percepção borrada pelo álcool, escrevem suas impressões sobre o show no dia seguinte.

Mesmo sem querer, este profissional, muitas vezes amigo dos produtores e assessores de imprensa que fazem o evento, sentem-se na obrigação de colocar panos quentes, de alivirar, de dizer que o show foi uma maravilha, mesmo que ele tenha sido uma porcaria completa, como foi o de Amy Winehouse aqui.

Pronto, amigo. É assim que funciona a engrenagem promíscua que rege produtores de shows e jornalistas. Tudo regado com muita cerveja de graça e favores trocados. Duvida? Pergunte pra qualquer jornalista amigo seu, que certamente dirá “é verdade, mas se você disser que eu disse, nego até a morte”.

24 Comments

  1. Posted 22 de janeiro de 2011 at 14h33 | Permalink

    sei não…
    e as drogas e as garotas de programa? :P

    Acho que a relação é mais “(querido) nós colocamos anúncios no seu jornal e nosso patrocinadores também…”

    Como disse um crítico musical da Revista Veja numa matéria pra Tv Cultura “eu trabalho numa empresa que tem interesses”. Quais são os nossos interesses? Pq escrevemos? :P

  2. Samanta
    Posted 22 de janeiro de 2011 at 14h40 | Permalink

    Por isso que nunca li resenha de show, incluindo os que o Recife Rock cobre

  3. ze
    Posted 22 de janeiro de 2011 at 14h46 | Permalink

    inveja – o show de amy foi massa!

  4. Gabriel
    Posted 22 de janeiro de 2011 at 15h24 | Permalink

    Nova nota “18”

    Hugo,

    é claro que na crítica musical existe jabá e troca de favores, como em todas as áreas do jornalismo. Sério mesmo que você acha que fez uma grande denúncia ao revelar que existe jabá (algo que está presente na indústria da música desde que inventaram o rádio)?

    E apesar de não ter o que contestar sobre a existência jabá, óbvio, os seus argumentos que compõem o resto do texto são péssimos:

    1.
    O fato de jornalistas encherem a cara antes de cobrir um show nada tem a ver com jabá. Se o cara não preza pelo próprio trabalho ou acha que tem uma percepção melhor de um show quando tá embriagado, ele vai beber tendo ou não bebida de graça. E caso ele ache que a bebida atrapalha o seu trabalho, ele não vai beber, tendo ou não bebida de graça.

    2.
    O fato de distribuírem chocolate pra jornalistas em Los Hermanos aconteceu somente porque um dos patrocinadores é uma empresa de chocolate, a Bis, assim como, caso fosse a Red Bull, haveria Red Bull de graça, ou se fosse o Club Social o patrocinador, distribuiriam Club Social. Não há nada fora de padrão nisso.

    3.
    Você dizer que outros jornalistas gostaram do show de Amy Winehouse, não é uma prova cabal de que eles são jabaseiros e você não. Só mostra que há gente que discordou de você, podendo ser por jabá ou não. Você fala como se houvesse uma unanimidade de que o show de Amy foi ruim, quando é exatamente o contrário, há bastante gente que gostou do show. Basta ler a caixa de comentários do seu post sobre o show, vai lá dar uma sacada, Hugo, 80% dos comentários são de pessoas que gostaram do show. E não são fãs alucinados, há muitas pessoas apontando educadamente o porquê de discordarem de você. E nas coberturas que eu li (JC, Diário e pe360graus) TODOS criticam a estrutura do show (distância do backstage e poucas barracas de bebida), o que demonstra claramente que não estavam tentando bajular os produtores, quando diziam que apesar de ela entrar no palco embriagada e errar letras, ainda assim o show foi bom, dentro do que já se espera de um show da Amy Winwhouse.

    E ao listar esses pontos, não estou querendo dizer que eu acho legal que as produtoras bajulem jornalistas e montem uma estrutura para mimá-los, mostrando uma realidade bem diferente do que o resto do público tem acesso. É algo condenável sob diversos aspectos.

    A questão aqui é só comentar como é patético o tom de denuncia do seu texto, Hugo, como se estivesse revelando alguma grande novidade.

    Quando na verdade você está é incomodado porque os jornais e portais daqui discordaram de você quanto a percepção dos shows de Los Hermanos e Amy Winehouse.

    A sua lógica parece ser bem simples: “se concorda com a minha visão do show, então é um jornalista sério”; “se discorda da minha visão do show, então é jabaseiro”.

    Deprimente, como de costume, Hugo. É sério cara, você já está virando motivo de chacota entre os leitores do RecifeRock.

  5. Halls Preto
    Posted 22 de janeiro de 2011 at 16h01 | Permalink

    Refrescante!

  6. Ugo
    Posted 22 de janeiro de 2011 at 18h08 | Permalink

    Cara, até onde eu sei, raramente, mas muito raramente mesmo, tem open bar para jornalista. A não ser que o cara esteja com acesso ao backstage, que muitas vezes não acontece, vai ter uma mamata dessas.

    O que o jornalista geralmente recebe é o kit do show, se houver [na maioria das vezes não tem], que é o material promocional, não tem nada demais. Nunca vi ninguém escrever uma resenha positiva porque ganhou o boné do Los Hermanos. E a além do kit, 1 par de ingressos geralmente para a melhor parte do show [área premium, etc.] porque o cara está lá a trabalho e não vai ficar no meio de 12mil pessoas se matando para fazer anotações.

    Esse texto tá bem exagerado e sensacionalista, recheado de uma certa invejinha.

  7. Posted 22 de janeiro de 2011 at 18h17 | Permalink

    Porra Hugo! então nao deram nada disso pra tu! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  8. Mergulhão
    Posted 22 de janeiro de 2011 at 19h04 | Permalink

    a regra vale para quase todos os jornalistas que cobrem shows, lançamentos de discos e todas as atividades.
    Se isso acontece com o s grandes jornalistas, imaginem com os pés de garapa que trabalham em Recife.
    A maioria come na mão de prefeituras, Fundarpes, produtores e por ai vai. São semi analfabetos e comem toco direto, podes crer, é só alguem poderoso ligar para a redação de um jornal em recife que cantor desafinado vira afinado, gente feia vira bonita, pouco público vira multidão, show frio vira show quente e não vi novidade alguma no comentário mas valeu o texto de Hugo.

  9. Zé Henrique
    Posted 23 de janeiro de 2011 at 0h24 | Permalink

    Magralha, o Hugo tá sem moral até pra ser corrompido. hauauauauha

  10. ze
    Posted 23 de janeiro de 2011 at 8h23 | Permalink

    acho que Hugo pagou para ver Amy….kakakak.

    por mim a raio lazer não deixaria ninguém do recife rock entrar nos shows deles. nem pagando…heheh.

    só presta o que bom pra mim. Que banquem os jornalistas, tudo de bom e do melhor para eles. Eles merecem. Esse pensamento “eles ganham muito” é de uma mentalidade hostil é uma visão altamente proviciana, pequena e sem o mínimo de sensibilidade artistica.

    lute para ganhar mais. Não torça para os outros ganharem menos. Amy , por exemplo, merece todos os milhões que ganha, acho que merecie até mais pelo talento e pela postura “a vinda é minha posso destruí-la como quiser”. esse show foi até barato, deveria ser uns 500 paus no minimo. Se vc não ganha nada, nem milhões nem um mísero brinde num show. Azar o seu.!

  11. jose brasileiro
    Posted 23 de janeiro de 2011 at 15h12 | Permalink

    No caso do show de Amy Wine house quem discorda de sua opiniao nao e que leu a critica de um jornal e sim de quem estava la !!!!

  12. Posted 23 de janeiro de 2011 at 22h15 | Permalink

    Eu achei meio exagerado, Hugo. O show de Amy, assim como o do Iron Maiden e os principais festivais da cidade não tem isso de bebida de graça. Tem quem discuta que dar o ingresso (assim como dar CD) é considerado Jabá, que o jornal deveria pagar para o jornalista entrar e cobrir, tendo a mesma experiência do público. E que o jornalista deveria fazer sua própria pesquisa, comprar discos e etc, para escolher o que escrever. Mas ai é outro papo.

    O mais importante é que as produtoras mais sérias, como a Raio Lazer (Iron Maiden, Black Eyed Peas, Amy Winehouse, etc), Astronave (Abril Pro Rock, Porto Musical, etc), entre outras, não fazem isso. Tem casos isolados, como foi com o show do Los Hermanos. Mas nem acho um bom exemplo. Rolou bebida e comida de graça, mas isso não impediu que os três jornais falassem mal justamente da estrutura e produção do show. Assim como colunas sociais, etc.

    Eu acho mais grave opiniões pré-formadas. Muito jornalista já chega no evento sabendo o que vai escrever e não muda mesmo após ver o show. Ou seja, poderia ter escrito sem nem ter visto. Como acontece no cinema, que escrevem as vezes sem ver o filme, ou fazem resenha de disco sem escutar ele. E isso não é culpa de assessoria, mas de mau jornalismo mesmo.

  13. Posted 23 de janeiro de 2011 at 23h52 | Permalink

    Perfeito, Bruno.

  14. Zé Henrique
    Posted 24 de janeiro de 2011 at 0h19 | Permalink

    O Bruno mandou super bem.
    E se o Hugo(cara, pede pra sair) achou perfeito é sinal que discorda do próprio post!!! hhauuauauaaa
    É muito sem noção!

  15. Posted 24 de janeiro de 2011 at 8h44 | Permalink

    “Mesmo sem querer, este profissional, muitas vezes amigo dos produtores e assessores de imprensa que fazem o evento, sentem-se na obrigação de colocar panos quentes, de alivirar, de dizer que o show foi uma maravilha, mesmo que ele tenha sido uma porcaria.”

    Pronto, taí… Direto da boca / teclas de um Jornalista;

    Depois quando a gente fala que rola muita “brodagem” ou favorecimento em festival X ou Y, a tropa de choque aparece pra dizer que é tudo “teoria da conspiração” – chiado de quem ficou de fora da “panela”.

    E duvido que neguinho vá se vender por um chaveiro ou uma latinha de cana… O que tá na moda mesmo é arrumar uma boquinha direto na fonte, e receber um belo cachê de produtora pra dizer que o show do Mini Box Lunar é melhor do que o do Iron Maiden, por exemplo.

  16. Posted 24 de janeiro de 2011 at 11h15 | Permalink

    Quem tá falando em favorecimento de festival? Quem faz o festival chama quem quer pra tocar e pronto. Não precisa de teoria pró ou contra isso.

  17. Posted 24 de janeiro de 2011 at 11h33 | Permalink

    Eu não discordo do próprio post. Ao contrário: cada dia acredito mais nele. Repare que Bruno escreveu “MEIO exagerado”. Ou seja, ele sabe que não é propriamente exagerado…ele apenas levantou mais questões com as quais concordo também.

    E outra: muitos não é = a todos. Isto, claro, serve para jornalistas, produtores e assessores de imprensa. Mas, claro, como sempre, cada um lê p que bem quer e entender como quiser…

  18. edson segundo
    Posted 24 de janeiro de 2011 at 13h07 | Permalink

    olá galera do recife rock gostaria de divulgar essa banda com mais de 12 anos de estrada,e uma das percusoras
    do movimento de tejipió,antes ja entitulado de celeiro do rock por entrevistas de jornais locais,banda com vasta experiencia e uma musicalidade encrivel.
    em sua mais nova formação conta com jack jone vocal,everson cardoso baixo,jackson bateria e a presença de edson segundo na guitarra,ex integrante de bandas como:phantosh,projétil,plugins,alqaeda e insurrection down e agora somando na emergência,banda que tem trabalho autoral resistrados,video clipes,e musicas propias…
    com o patrocinio da tv jornal,e participação de atores da cena local da tv jornal do ceriado santo por acaso,os atores fizerão parte do clipe em que o roteiro e inspirado em uma historia real que explica os perigos que o cigarro oferece, asim se tornando uma campanha anti-tabagista
    com uma dinâmica perfeita,que vale apena conferir! segue o myspace p vcs darem uma conferida e qualquer outro contato p que possamos mandar materiais de fotografias e etc.. alguns videos tambem podem ser vistos no you tube,e so procurar o video( o cancer banda emergência)

    http://www.myspace.com/bandaemergencia

  19. edson segundo
    Posted 24 de janeiro de 2011 at 13h09 | Permalink

    olá galera do recife rock gostaria de divulgar essa banda com mais de 12 anos de estrada,e uma das percusoras
    do movimento de tejipió,antes ja entitulado de celeiro do rock por entrevistas de jornais locais,banda com vasta experiencia e uma musicalidade encrivel.
    em sua mais nova formação conta com jack jone vocal,everson cardoso baixo,jackson bateria e a presença de edson segundo na guitarra,ex integrante de bandas como:phantosh,projétil,plugins,alqaeda e insurrection down e agora somando na emergência,banda que tem trabalho autoral resistrados,video clipes,e musicas propias…
    com o patrocinio da tv jornal,e participação de atores da cena local da tv jornal do ceriado santo por acaso,os atores fizerão parte do clipe em que o roteiro e inspirado em uma historia real que explica os perigos que o cigarro oferece, asim se tornando uma campanha anti-tabagista,
    com uma dinâmica perfeita,que vale apena conferir! segue o myspace p vcs darem uma conferida e qualquer outro contato p que possamos mandar materiais de fotografias e etc.. alguns videos tambem podem ser vistos no you tube,e so procurar o video( o cancer banda emergência)

    http://www.myspace.com/bandaemergencia

  20. edson segundo
    Posted 24 de janeiro de 2011 at 13h11 | Permalink

    escutem banda emergência
    http://www.myspace.com/banda emergência

  21. Belinha
    Posted 24 de janeiro de 2011 at 13h14 | Permalink

    quem faz festival aqui não chama quem quer, chama quem é mais conveniente ou para atender seus interesses pessoais. Se quem financia são os orgãos públicos, quem determina a lógica são eles, me corrijam se estiver errada. E se estiver, gostaria que me dissessem qual o festival daqui que vive por si só e é independente total da inciativa pública.
    e mais, ainda tem essa, se voce não escalar as bandas patrocinadas por jornalistas, metem o pau no teu festival, oh yeah, pode cre malandro!

  22. Posted 24 de janeiro de 2011 at 13h43 | Permalink

    Só pra finalizar o assunto – de minha parte – Estou nessa há 11 anos. Bebida e comida rolava solta, sim senhor, nos festivais, para qualquer credenciado. Com o tempo é que foi diminuindo. Um dia, quando escrever minhas memórias, conto tudo que vi/ouvi com a elegância de não citar nomes. Seria inacreditável, não fosse verdade. Já teve gente que até perguntou quanto era o meu cachê! Por aí vcs tiram…

  23. Posted 24 de janeiro de 2011 at 22h29 | Permalink

    Relaxa, Nogueira… Não fiz nenhuma referência específica a escalações / line-ups de festivais no meu último comentário; Inferência sua meu caro, acho que a (in) consciência anda te traindo!

    Ponto pro lampejo de bom senso (in?) voluntário do Hugo, que dá pelo menos uma chacoalhada nessa bundamolice que toma conta dos nossos dias; Quem dera ocorresse mais vezes.

  24. Enzo Fernando
    Posted 25 de janeiro de 2011 at 7h32 | Permalink

    Eu sou estudante de Rádio e Tv da Nassau pago algumas cadeiras de Jornalismo no meu curso se o Jornalista for realmente crítico com o show de qualquer artista seja do Rock a Swingueira ele realmente coloca o que realmente viu.Sendo Amigos ou não de produtores ou do marketing do evento.
    Agora se os Jornalistas forem realmente só para fazer favor ao amigo ou a patrão não estará usando dos meios de comunicação

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