Do JC: Artistas estão em pé de guerra – Invasão de bandas de pagode e axé no interior revolta artistas e produtores

Do Jornal do Commercio de hoje:

Artistas estão em pé de guerra
Invasão de bandas de pagode e axé no interior revolta artistas e produtores, que elaboram documento a ser encaminhado a Eduardo Campos

Publicado em 25.02.2011 por José Teles

Quando se fala da situação dos que fazem música em Pernambuco, uma das observações mais óbvias é a de que nunca se viu classe tão desunida. Mas eis que a programação, anunciada pela Empetur, para 19 polos em cidades do interior, conseguiu unir contra ela várias gerações de artistas, músicos e produtores da Região Metropolitana. Na reunião acontecida, ontem no final da manhã, na Torre de Malakoff, estavam, entre cerca de 50 pessoas: Claudionor Germano, o maestro Ademir Araújo, o sambista Paulo Perdigão, a presidente da Associação dos Forrozeiro de Pé-de-Serra e Ai, Tereza Accioly, o cantor Geraldo Maia, Ívano, Cássio Sette, Publius Lentulus, Nilton Pereira (TV Viva), e Anselmo e a cantora Irah Caldeira, que foi incluída na programação (faz show, dia 8 em Salgueiro), mesmo assim compareceu á reunião.

“Nesta história há diversos aspectos que ser questionados, primeiro é o desrespeito ao edital da Fundarpe, as pessoas aqui enviaram suas propostas e precisam saber a grade que foi feita, a pontuação que receberam. Depois, a grade que foi montada para o interior é a desconstrução de tudo que foi construído ao longo de dez anos. Então precisamos saber quem foi quem é o responsável por esta programação, e por que não se levou em conta o edital?”. O comentário é do músico Sérgio Andrade, da Banda de Pau e Corda, que lançou recentemente um disco de frevo para o Carnaval 2011.

A cada afirmação, questionamento, era inevitável que muita gente falasse ao mesmo tempo, e preciso que se falasse mais alto para se fazer ouvido. Foi o caso de Paulo de Castro, da Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco, Apacepe, que agrega também produtores musicais: “Seja quem for, ele está subordinado ao governo, assim quem tem que responder é o governador Eduardo Campos”. Opinião com a qual concordou o maestro Ademir Araújo: “Não vou falar de secretário, o responsável é o governador.”

Mesmo assim as opiniões dividiam-se quanto à responsabilidade pela programação, que alguns atribuíram às prefeituras. A grita geral era contra o que consideram baianização do Carnaval pernambucano, com Ivete Sangalo, no Baile Municipal. Foi apontado que a maioria dos artistas de fora são presenças constantes em festas promovidas por entidades privadas. “Esta grade do governo não desconstrói apenas dez ou 15 anos de um projeto cultural, mas cem anos de cultura do Carnaval pernambucano”, lembrou o produtor Anselmo Alves, ressaltando a falta de apoio financeiro que antigas agremiações recebem de órgãos públicos, e acrescentando: “O Carnaval está cheio de baianos, mas, para dar um exemplo, o aniversário de 70 anos de Dominguinhos não teve homenagens, nem da prefeitura, nem do governo do Estado”.

Apesar de muita gente, de debates acalorados, onde um dos mais exaltados era o maestro Ademir Araújo, não se demorou muito a se chegar ao objetivo. Foram escolhidos sete nomes para compor uma comissão que levará um documento protocolar, que começou a ser redigido no local da reunião. Esta comissão levará o ao governador Eduardo Campos e aguardará uma resposta. “Claro que está muito em cima, a programação deverá continuar esta, mas já é um começo para se discutir o São João e Pernambuco Nação Cultural”, comentou Tereza Accioly, da associação dos forrozeiros.

Ânimos acirrados à parte, a grade para o interior este ano conseguiu desagradar até quem está nela, feito o sanfoneiro Beto Ortiz. “Peguei só um show em Águas Belas, e olhe que tenho tradição no frevo, já ganhei festivais. O problema é que o show é muito longe, alguns músicos da minha banda tem apresentações com orquestras no mesmo dia”.

André Rio, que está em cinco cidades na programação, declarou-se solidário aos colegas de classe: “Considero o pleito que eles estão fazendo. Acho um equívoco terem colocado tantas bandas de fora e deixado de convidar os artistas que há muitos anos brigam por nossa cultura, a exemplo de Geraldo Maia, Sérgio Andrade. Em relação ao meu nome, faço Carnaval desde 1990, quando gravei Queimando a massa, de J. Michiles. Faço em média 15 shows no Carnaval. Não há nada de estranho estar em cinco ou seis cidades”.

Segunda-feira, a partir das 9h, artistas, associações, e outras entidades da classe, voltam a se reunir. A ordem é todo mundo se vestir de preto, para um protesto na Praça do Arsenal, desta vez o alvo não será apenas o governo, mas também a Prefeitura do Recife.

fonte: http://jc3.uol.com.br/jornal/2011/02/25/not_413602.php

Programação pode sofrer alteração e incluir artistas
Publicado em 25.02.2011

Nem o secretário de Turismo, Alberto Feitosa, nem o presidente da Empetur, André Correia, se pronunciaram pessoalmente sobre os questionamentos à programação do Carnaval. “A secretaria não vai destacar ninguém para falar sobre o assunto. Mandaremos um nota oficial. O que posso dizer é que a programação seguiu também sugestões das prefeituras. A grade tem 209 shows, destes 149 são de artistas pernambucanos. Além disto, algumas propostas ainda estão sendo analisadas e mais shows podem ser acrescentados à programação. Quanto a qualidade, que está sendo questionada, não vamos entrar neste mérito”, disse o Gestor de Comunicação da Secretaria de Turismo de Pernambuco, Aquiles Lopes.

No primeiro parágrafo, o esclarecimento dos métodos empregados para selecionar as atrações: “A grade artística apresentada pelo Governo do Estado é democrática e contempla todos os ritmos brasileiros, com grande destaque para os artistas e pernambucanos. Para a montagem, dialogamos com as prefeituras e com a Fundarpe, utilizando as inscrições nos editais de cultura como referência para os palcos”.

Aquiles Lopes lembra que as regras exigidas pelo Tribunal de Contas para contratação de artistas são bem mais rígidas. São exigidas exigida, para qualquer artista, seja de palco ou de chão, toda a documentação necessária, como CNPJ, INSS, FGTS, inscrição na Receita Federal e Certidões negativas do Município, Irregularidade e Débito do Estado.

fonte: http://jc3.uol.com.br/jornal/2011/02/25/not_413603.php

Posted sexta-feira, fevereiro 25th, 2011 under Notícias.

One comment so far

  1. Interesses pessoais, e o poder em mãos erradas, isso q dá.