Do Jc: “Apatia foi a marca do Pré-AMP”

Do JC de hoje:

Apatia foi a marca do Pré-AMP

Apatia foi a marca do Pré-AMP
Especial para o JC

Durante três dias entre a quinta e o sábado passados, no Pátio de São Pedro, 18 novas bandas pernambucanas disputaram o direito de participar da segunda e última fase do festival Pré- AMP, que acontece nesta quinta, na Rua da Moeda, a partir das 21h. Foram classificadas Babi Jaques e os Sicilianos, Araçá Blue, Aliados CP, Euqrop as quais contaram com o voto de uma comissão julgadora (da qual este repórter fez parte) e Sagaranna, que se classificou pelo voto popular.

Para escolher as melhores de cada noite, foram levados em conta a execução, a originalidade, performance, o profissionalismo e a estética apresentados pelos artistas.

Se fôssemos avaliar como anda a qualidade da nova cena musical recifense, utilizando-se como parâmetro os critérios citados acima aplicados a um quadro geral dos shows vistos no fim de semana, a conclusão do diagnóstico seria: preocupante!

Com exceção das seis bandas escolhidas para disputar a segunda fase da competição musical (e, mesmo assim, com ressalvas), boa parte dos grupos não mostrou nada de novo em sua musicalidade, abusou de clichês estéticos, não teve preocupação em relação à qualidade do som que era ouvido pelo público, nem com a organização do repertório, comunicação com o público e alguns até pareciam que iam dormir no palco, tal era a apatia e o conservadorismo comportamental (a popular caretice) apresentados.

Há músicos com mais de 50, 60, 70 anos demonstrando ter bem mais vontade, motivação, ousadia e até mesmo virilidade do que parte da molecada de 20 e poucos anos que empunhou seus instrumentos no Pátio de São Pedro.

Fora a questão da originalidade (item realmente difícil de ser alcançado tanto por artistas novos quanto pelos experientes), com um pouco de atenção os outros problemas podem ser sanados sem muita dificuldade pelos grupos. Sabemos que não é tão simples assim, mas é importante que pelo menos em apresentações consideradas relevantes se leve um técnico de som que conheça a música da banda. Uma equalização mal feita pode reduzir a pó um grande show.

Tocar bem é importante, mas saber executar com alto grau de virtuosismo todas as lições aprendidas em aulas no conservatório ou retiradas de métodos da Berklee não é garantia de excelência musical. Muitas vezes, simplicidade e criatividade impressionam e funcionam bem mais. Exemplo disso é The Edge, guitarrista do U2. Ele está longe de ser um virtuoso, mas conseguiu criar uma linguagem tão própria e singular que conseguimos identificar seu estilo até em Marte.

Por fim, é um ótimo exercício tentar tocar com entusiasmo, mesmo quando se está diante de pouca gente. Com essa prática, é possível que a banda comece a se destacar mediante o boca a boca produzido pelos gatos pingados que a assistiram. O negócio pode virar uma bola de neve e, já marcada pela prática da animação constante, provavelmente a banda pode se dar bem em palcos grandes e diante de milhares de pessoas.

Posted terça-feira, janeiro 31st, 2012 under Clipping.

7 comments

  1. Pablo Arruda Melo. says:

    Eu só entendo realmente o motivo do Rafa Emery ter ficado de fora pelo problema técnico (diga-se de passagem, do evento)que ocorreu no começo de sua apresentação. Ele e a Babi Jaques detonaram em espírito, figurino e energia no 1º dia do Pré Amp.

  2. É complicado tirar essas conclusões. Pois é limitado o número de pessoas a participar da produção de cada banda. O evento disponibiliza técnico de som e equipe técnica de palco, garantindo e pedindo desprecupação das bandas participantes. A apresentação de Rafa Emery foi uma das melhores, com um som totalmente precário, vergonhoso, parecendo até ter sido feito de propósito. Um show que merecia uma nova oportunidade. Mas fazer o que.

  3. Filipe Costa says:

    Mais profissionalismo para os técnicos de som e equipes de palco da Produção do Pré-AMP, é isso que precisa ser comentado. Rafa Emery foi a melhor apresentação!!!!

  4. Rafa Emery Produção. says:

    Agradeço aos elogios,sim. A matéria foi acertadíssima… as bandas foram apáticas e se mostraram muito nervosas. Eu estava tranquilo por demais até depois dos problemas no som no começo do show, claro. Mas já passei por problemas em muitos, muitos concertos, dentro do estado e fora também. São coisas que acontecem e devemos estar preparados para os imprevistos. Não estávamos. aprendemos com isto e assim seguem as coisas na vida. Servem para aprender… e ensinam a chegar no topo. A apresentação foi maravilhosa. O evento foi maravilhoso. Eu estava animado em cima do palco… e assim sempre será. Parabéns a todos que pisaram no palco, trabalharam nos bastidores e estavam tomando suas cervejas na platéia!

  5. Pois é. Não se fazem mas bandas igual ao Kiss, não é?

  6. Fábio malta says:

    Sinceramente… A banda que mais me impressionou no quesito execução e originalidade foi a Araça Blu. Acho que cabia o primeiro lugar pra ela sim! Babi Jaques é muito boa também… Bem entrosada, instrumental fechadinho, redondo… tem uma performance que chama a atenção, mas não é de sonoridade tão rica quanto a Araçá não. Aliados CP fazem um hip hop empolgante, gostei muito mas acho que o 2 lugar foi meio forçado… Pois é, festivais são assim mesmo, a decisão do júri nunca irá agradar à todos. No mais, parabéns aos vencedores e estarei nos pólos prestigiando vcs!

  7. Márcio Gama says:

    É complicado exigir muito das bandas daqui, a nossa cena musical é muito desistimulante. Casas, bares e produção da cena rock de recife tá praticamente falida. É só olhar os últimos 6 anos pra cá, qual foi a última banda de PE que despontou para o cenário nacional? que eu me lembre foi a VOLVER E KARINA BUHR, A Volver que ainda não estorou e já está indo pro seu 3º disco. E como é que fica as outras 200 bandas que existe no cenário? então, hoje em dia tem que pensar 1000 vezes em ser músico de rock, formar uma banda e gastar $$$ pra investir, porque o retorno em 99% dos casos é ZERO em todos os sentidos.